17.1.09

catherine hardwicke, twilight



(imagem de twilight)


ahhh, este filme é tão gótico!!..., mas numa perspectiva adolescente com borbulhas, claro!

salva-se a rapariga, que é muito bonita, e a própria realização, que me pareceu melhor do que aquilo que estava à espera. mas quem me mandou espreitar os filmes dos góticos mais imberbes da nova geração?

Jorge Vicente

13.1.09

múltipla personalidade e doença



(quadro de robert rauschenberg, "roulette", 1988)


"A modificação é notavelmente semelhante a descobertas em trabalhos recentes com doentes de múltipla personalidade: uma personalidade pode ser diabética, enquanto a outra não. Podem existir alergias e sensibilidade a medicamentos numa personalidade e não noutras. Se uma personalidade queima o corpo com um cigarro, a marca pode desaparecer quando é outra personalidade que assume o controlo e reaparecer quando reaparece a primeira. De igual modo, quando um paciente com uma doença física efectua uma mudança de personalidade completa e positiva, as defesas do organismo podem então eliminar a doença, que não faz parte do novo ego" (1)

bernie s. siegel


(1) SIEGEL, Bernie S. - Amor, medicina e milagres. 1ª ed. Lisboa: Sinais de Fogo, 2004. ISBN 972-8541-47-3. pg. 180.

a fenomenologia do cancro

"A fenomenologia do cancro está cheia de imagens de culpa e retribuição e de promessas ao próprio e a outros de que, se houver recuperação, serão feitos sacrifícios, haverá uma mudança de atitudes e a vida será vivida como deve ser. A psicologia desse sacrifício relutante é muito diferente da do sacrifício voluntário.

Há momentos e épocas na vida de cada um em que o sacrifício genuíno da coisa mais apreciada é essencial para um desenvolvimento acrescido. Se esse sacrifício não for feito de boa vontade, ou seja, conscientemente e com total sofrimento consciente da perda, o sacrifício ocorrerá inconscientemente. Nessa altura a pessoa não estará a sacrificar-se pelo crescimento, mas será sacrificada por um crescimento falhado" (1)

a. lockhart


(1) LOCKHART, A. apud SIEGEL, Bernie S. - Amor, medicina e milagres. 1ª ed. Lisboa: Sinais de Fogo, 2004. ISBN 972-8541-47-3. pg. 180.

11.1.09

o amor é um acto político



(fotografia de robert doisneau, "kiss by the hotel de ville", 1950)


"A verdadeira felicidade deve ser ganha aprendendo a amar com uma elevação de espírito tal que se alcance o poder de fazer frente à tristeza... Superar o amor antigo com um novo amor ainda maior" (1)

benedetto croce


(1) CROCE, Benedetto apud SIEGEL, Bernie S. - Amor, medicina e milagres. 1ª ed. Lisboa: Sinais de Fogo, 2004. ISBN 972-8541-47-3. pg. 164.



Segundo a minha opinião, esta frase é muito bonita e faz todo o sentido para mim. Estou numa fase em que reencontrar o amor é prioritário, seja esse amor o amor entre homem e mulher, o amor entre amigos, entre familiares, o amor por nós próprios e pela humanidade. Mais do que nunca, acho que a nossa frase de vida deveria ser aquela que Rolando Toro disse hoje, no 1º dia do maravilhoso workshop de biodanza que está a facilitar no Parque das Nações: "O amor é um acto político"

9.1.09

novamente a culpa e a responsabilidade



(quadro de frances scholz, "D'04, 06", 2004)


"No entanto, a maioria das doenças em uma componente psicológica e a percepção da participação e responsabilidade da pessoa no processo de doença é completamente diferente da condenação ou culpabilidade. É evidente que poucos querem realmente uma doença que ponha a vida em risco, mas normalmente funciona como uma mensagem para mudar ou dá aos doentes algo que não estão a obter das suas vidas. Conforme disse Carl Simonton: «Acredito que contraímos as doenças por razões respeitáveis. É a forma de o nosso organismo nos dizer que as nossas necessidades - não só as do corpo mas também as emocionais - não estão a ser preenchidas, e que as necessidades que são preenchidas através das doenças são importantes.»" (1)

bernie s. siegel


(1) SIEGEL, Bernie S. - Amor, medicina e milagres. 1ª ed. Lisboa: Sinais de Fogo, 2004. ISBN 972-8541-47-3. pg. 156.

8.1.09

"my sister" (tindersticks)



(quadro de amedeo modigliani, "nu couché", 1917)


"Do you remember my sister? How many mistakes did
she make with those never blinking eyes? I
couldn't work it out. I swear she could read your
mind, your life, the depths of your soul at one
glance. Maybe she was stripping herself away,
saying

Here I am, this is me I am yours and everything
about me, everything you see... If only you look
hard enough I never could. Our life was a
pillow-fight. We'd stand there on the quilt, our
hands clenched ready. Her with her milky teeth, so
late for her age, and a Stanley knife in her hand.
She sliced the tyres on my bike and I couldn't
forgive her.

She went blind at the age of five. We'd stand at
the bedroom window and she'd get me to tell her
what I saw. I'd describe the houses opposite, the
little patch of grass next to the path, the gate
with its rotten hinges forever wedged open that
Dad was always going to fix. She'd stand there
quiet for a moment. I thought she was trying to
develop the images in her own head. Then she'd
say:

I can see little twinkly stars, like Christmas
tree lights in faraway windows. Rings of brightly
coloured rocks floating around orange and mustard
planets. I can see huge tiger striped fishes
chasing tiny blue and yellow dashes, all tails and
fins and bubbles. I'd look at the grey house
opposite, and close the curtains. She burned down
the house when she was ten. I was away camping
with the scouts. The fireman said she'd been
smoking in bed - the old story, I thought. The cat
and our mum died in the flames, so Dad took us to
stay with our Aunt in the country. He went back to
London to find us a new house. We never saw him
again.

On her thirteenth birthday she fell down the well
in our Aunt's garden and broke her head. She'd
been drinking heavily. On her recovery her sight
returned, a fluke of nature everyone said. That's
when she said she'd never blink again. I would
tell her when she started at me, with her eyes
wide and watery, that they reminded me of the well
she fell into. She liked this, it made her laugh.

She moved in with a gym teacher when she was
fifteen, all muscles he was. He lost his job when
it all came out, and couldn't get another one. Not
in that kind of small town. Everybody knew
everyone else's business. My sister would hold her
head high, though. She said she was in love. They
were together for five years until one day he lost
his temper. He hit over the back of the neck with
his bullworker. She lost the use of the right side
of her body. He got three years and was out in
fifteen months. We saw him a while later, he was
coaching a non-league football team in a Cornwall
seaside town. I don't think he recognized her. My
sister had put on a lot of weight from being in a
chair all the time. She'd get me to stick pins and
stub out cigarettes in her right hand. She'd laugh
like mad because it didn't hurt. Her left hand was
pretty good though. We'd have arm wrestling
matches, I'd have to use both arms and she'd still
beat me.

We buried her when she was 32. Me and my Aunt, the
vicar, and the man who dug the hole. She said she
didn't want to be cremated and wanted a cheap
coffin so the worms could get to her quickly. She
said she liked the idea of it, though I thought it
was because of what happened to the cat, and our
mum." (1)

tindersticks


(1) canção "my sister" do álbum tindersticks, dos tindersticks (1995). retirado daqui

7.1.09

a necessidade da doença



(instalação de jenny holzer na times square, "untitled from the survival series", 1986)


"A doença dá às pessoas «autorização» para fazer coisas que de outro modo se inibiriam da fazer. Pode tornar mais fácil dizer que não a encargos, deveres ou tarefas indesejados ou a exigências de outras pessoas. Pode servir de autorização para fazer o que sempre se quis fazer mas esteve sempre «demasiado ocupado» para começar. Pode permirtir a uma pessoa tirar algum tempo para reflectir, meditar e traçar uma nova rota. Pode servir de desculpa num fracasso. Pode tornar mais fácil pedir e aceitar amor, exprimir os sentimentos ou ser mais honesto de outra forma. Até uma constipação tem significado. Muitas vezes a sua mensagem é «tens trabalhado de mais. Vai para casa e trata de ti.» Lembre-se que somos criados com «dias de baixa», não com «dias de saúde». Tire uns dias para preencher as suas necessidades e não precisará de uma doença.

Uma vez que a doença física atrai habitualmente a simpatia de amigos e familiares, pode ser uma maneira de adquirir amor, ou carinho. Pode tornar-se a única forma de o paciente se relacionar com o mundo, o único controlo que se tem da vida."

bernie s. siegel


(1) SIEGEL, Bernie S. - Amor, medicina e milagres. 1ª ed. Lisboa: Sinais de Fogo, 2004. ISBN 972-8541-47-3. pg. 152.