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30.1.12

uma réstia de caminho



(fotografia de a. audrey bodine, "tangier sound" (1948)


"uma réstia de caminho,
até alcançar o passo dos homens

umas vezes, solene
outras, com aquele grito de
quem chora perante a paisagem,
o momento vermelho da destruição
do sol

outras vezes, mais acelerado
como se o tempo dependesse da
condição humana

por vezes, lento e arrastado,
sem olhares fixos e demorados,
sem paixão,
beijando o corpo e escrevendo
a saudade na ombreira da porta

noutras vezes, carregando a madeira
para a casa do outro lado da estrada,
não pensando em nada para além do inverno
e da própria destruição das coisas,
impermanentes como o teu sorriso

talvez seja o rio o limite entre dois
corpos e o caminho seja sempre feito de
fogo

não te desejo apenas numa fotografia,
mas dobrada sobre o sol,
abraçando o verso." (1)

jorge vicente



(1) VICENTE, Jorge - Ascensão do fogo. São Mamede de Infesta: Edium Editores, 2008. p. 35.