29.8.09

a noite abrir-nos-á



(quadro de gottfried helnwein, "untitled (the disasters of war 6)", 2007)


16.

entre as montanhas do velebit
e os lagos de plitvice,
os maravilhosos lagos de água
silenciosa e pura
que tornam famosa toda a região
nordeste da croácia,

entre essas cordilheiras brancas,
que protegem a costa do vento,
e os lagos: imensos socalcos de
árvores e jardins, turistas e
jovens homens de negócios,

entre o cume do mundo
e o ar da chuva que consome plantas,
animais, seres do interior da terra
e dos livros de fantasmas de toda
a região norte,

entre esse mundo e o outro
mais perfeito,
muitas campas rasas escolhem
o seu lugar junto à estrada.

dizem: não houve dinheiro para fazer
um jazigo que pudesse celebrar
a vida daqueles que, em tempos,
trabalhavam de solo a solo e que
amavam, dançavam, riam e comiam
no ajuntamento das estrelas,

entre as montanhas do mundo mais
à frente e dos lagos que tocavam os
seus dedos.

dizem: não houve tempo para
celebrar e para regressar à
verdadeira génese das plantas
e dos solos. apenas
se amontoam crianças, velhos
e os homens que amavam e riam
e dormiam no colo dos pais.

entre as montanhas do velebit e as
águas de plitvice, não há mais
lugares de memória.

jorge vicente

4 comentários:

isaias de faria disse...

jorge, linkei o amoralva lá no estações. sempre novidades boas aqui hein? e é bom ler sua poesia. abraço, isaias

Arabica disse...

E no entanto, existe poesia.

entre. A tua.

jorge vicente disse...

Obrigado, amigo!

Um grande abraço
Jorge

jorge vicente disse...

a tua também :)