19.7.07

José Félix



Cquadro de William Adolphe Bouguereau, Child at Bath, 1886)

"há uma casa e um país à deriva e o idioma possível é a infância" (1)
José Félix




(1) FÉLIX, José in Geografia da Árvore

18.7.07

Ligando a Luz: Kryon



(imagem da capa do livro de Vitorino de Sousa, Ligando a Luz: Kryon)


Depois de ter lido o livro de Ana Paula Ivo, Eu sou o Vosso Mestre Maior, já comentado neste blog, resolvi dar uma espreitadela ao primeiro livro-fase Kryon de Vitorino de Sousa. Tal como o livro anterior, este livro é canalizado, desta vez por uma entidade extradimensional chamada Kryon. Kryon é, segundo as palavras de Rodrigo Romo, "um conjunto de seres - todos a partir de 8D - que trabalham no resgate da Malha Magnética sensorial dos corpos subtis, de 8D em relação a 3D"(1). Ou seja, um conjunto de seres extra-terrestres que trabalham juntos assumindo uma energia única e indivisível.

O livro, ao contrário da obra de Ana Paula Ivo, não é um livro com exercícios. Relata apenas os acontecimentos que levaram Vitorino de Sousa à descoberta de Kryon, as suas primeiras canalizações, o trabalho por ele desenvolvido, as várias Reuniões de Família, etc. Não é um livro muito interessante e está cheio de erros tipográficos (pelo menos, a edição que eu comprei quando o livro saiu) o que, se não dificulta a leitura, pelo menos dá a ideia de que a editora descurou a obra. Na parte do conteúdo, os mesmos pecados que corroem as obras deste género, e especialmente, algumas obras da editora Novalis: espiritualidade cor de rosa e que apenas serve para adoração de novos deuses em substituição dos antigos. Ou a velha pergunta: para que interessa orar pelo Deus Antigo se temos Kryon a falar pela nossa boca e pelos nossos ouvidos, como um bailarino dançante?

Contudo, o livro tem um aspecto positivo, embora muito melhor explorado no documentário The Secret: a co-criação. Isto é, a noção de que nós co-criamos a nossa realidade, que transformamos o mundo à nossa volta e que conseguimos ter aquilo que queremos. Mas, para isso, quem precisa de Kryon? Quem precisa de novos Deuses e de Novas Energias, do modo como eles a caracterizam? Mas, mais não vou dizer porque senão ainda sou processado pelo autor da obra (risos).

Jorge Vicente



(1) citação da iniciação feita por Rodrigo Romo apud SOUSA, Vitorino de - Ligando a Luz: Kryon. Editorial Angelorum Novalis: Carcavelos, 2004. ISBN 972-8680-65-1. pg. 26.

9.7.07

In Nomine



(quadro de Léon Arthur Tutundjian, "Untitled", 1928)

6.

com um gesto, Rilke abriu o rochedo defronte da casa, que se estendia com a sua voz frágil e antiga. a erosão faz da pele o seu receptáculo, um refúgio de conchas dobrado ao contrário. eclodindo e eclodindo, alimentando a árvore ainda nascente.

Rilke é o relâmpago e o poema o som claro das lápides pedindo a morte.

Jorge Vicente

Lêdo Ivo - excerto



(fotografia de Albert Renger-Patzch, "Das Bäumchen ["Sapling"]", 1929)

"(...) Cantar é descobrir o ignorado, é desvendar o mundo,
é querer durar, é não morrer diariamente,
é dar configuração verdadeira ao imaginário.
Nossa missão é continuar a tarefa dos que vieram antes
para que Ela, a Poesia, não desapareça
e transmita o intraduzível" (1)

Lêdo Ivo

(1) IVO, Lêdo - Uma lira dos vinte anos. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1962. p. 160.

5.7.07

Sonêto dos Vinte Anos (Lêdo Ivo)



(quadro de Cameron Martin, "Under The Sun Every Day Comes And Goes", 2003)

"Que o tempo passe, vendo-me ficar
no lugar em que estou, sentindo a vida
nascer em mim, sempre desconhecida
de mim, que a procurei sem a encontrar.

Passem rios, estrêlas, que o passar
é ficar sempre, mesmo se é esquecida
a dor de ao vento vê-los na descida
para a morte sem fim que os quer tragar.

Que eu mesmo, sendo humano, também passe
mas que não morra nunca êste momento
em que eu me fiz de amor e de ventura.

Fêz-me a vida talvez para que amasse
e eu a fiz, entre o sonho e o pensamento,
trazendo a aurora para a noite escura. (1)

Lêdo Ivo

(1) IVO, Lêdo - Uma lira dos vinte anos. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1962. p. 120.

In Nomine



(desenho de Salvador Dalí, "Icarus", 1963)


5.

que aguarde, a flor silenciosa
o seu lento murmúrio de
folhas,

a voz transparente,
acalentada pelo desejo
de seguir a rota do
verso



a flor de esteva amanhece
e rompe os passos do
anjo em ascensão

Jorge Vicente

2.7.07

Cura à distância, o poder da oração e outros assuntos



(quadro de James Ayers, "Strong Medicine", aqui.

Será possível curar alguém à distância, através de uma simples oração, um pensamento positivo, o trabalho da mente tendo como objectivo principal a cura imediata (ou mediata) de um determinado sintoma? Durante muitos anos, pensou-se que tal fosse apenas uma loucura de santos, místicos ou membros de uma congregação religiosa. Porém, nos últimos anos, nos Estados Unidos, vários cientistas, tanto no domínio da Medicina, como da Física Quântica, têm estudado o fenómeno e verificaram que pode existir um efeito positivo de cura quando alguém ora por nós.

Não é por acaso que os Antigos recitavam mantras durante horas a fio, não é por acaso que existem palavras de poder, palavras que assustam e que têm uma força interior enorme. As várias tradições religiosas e místicas atestam isso, ao longo dos vários séculos. A própria tradição cristã reflecte um pouco esse ideal, através das inúmeras rezas e orações que enchem a vida dos fiéis: o terço, as missas aos defuntos, etc. Tentamos com o poder da nossa voz influir no destino de uma só pessoa. Sabe-se que, antigamente, rezavam-se aos mortos para ajudar na purificação da sua alma que, provavelmente, ainda estaria no purgatório. Tais vozes, tais orações eram mantras e tinham o poder que as vozes lhes conferiam.

Larry Dossey, médico, escreveu um artigo justamente sobre isso. Ele é um investigador do poder da oração na saúde e na cura. Desenvolveu já vários estudos e descobriu que a oração tem realmente uma força poderosíssima, podendo mesmo influir no restabelecimento da saúde. No entanto, as investigações ainda estão na fase laboratorial. Mas, pelo menos, vários passos já estão a ser dados. E ainda bem.

O artigo em questão chama-se: "Nonlocal mind, distant healing, and
prayer", aqui.

Jorge Vicente