20.12.08

o paciente de cancro



(quadro de egon schiele, "nach links blickendes kind mit roter kappe", 1909)


"O doente canceroso típico, digamos, um homem, sofreu de falta de proximidade com os pais na infância, a falta do tipo de amor incondicional que lhe poderia ter garantido o seu valor intrínseco e a sua capacidade de vencer os desafios. Ao crescer, tornou-se fortemente extrovertido, não tanto devido a uma atracção inata pelos outros mas pela dependência deles para validação do seu próprio valor. A adolescência foi ainda mais difícil para este futuro doente de cancro do que para os outros adolescentes. A dificuldade em estabelecer amizades mais do que superficiais conduziu a uma solidão excruciante e ao reforço de sentimentos anteriores de imperfeição.

Uma pessoa como essa inclina-se a considerar-se estúpida, desastrada, fraca e inepta em jogos sociais ou desportos, apesar de realizações que muitas vezes aão a inveja de colegas. Ao mesmo tempo pode acalentar uma visão do «eu verdadeiro», supremamente dotado, destinado a beneficiar a raça humana com realizações vagas mas transcendentes. Mas esse eu autêntico está cuidadosamente ocultona convicção de que iria prejudicar a aceitação e o amor (subjectivamente) mínimos que a pessoa recebeu. Pensa: «Se eu agir como realmente me sinto - infantil, brilhante, afectuoso e louco - serei rejeitado.»" (1)

bernie s. siegel

(1) SIEGEL, Bernie S. - Amor, medicina e milagres. 1ª ed. Lisboa: Sinais de Fogo, 2004. ISBN 972-8541-47-3. pg. 134.

1 comentário:

M. disse...

este teu post deixa-me tão pensativa Jorge, adoraria poder discutir este assunto contigo,a sério. A primeiram parte do texto ainda concordo mas a segunda... não pode ser de maneira nenhuma generalizada.. Pelo contrário, acho que há uma tendência para a inteligência e a força,não por uma questão de provar aos outros mas por natureza inata, desde a infância que manifestam qualidades espantosas que se vão acentuando com a vida. Mas também não devo generalizar..

Gostava imenso de adquirir este livro, mas parece-me mais do que um não é?

Ainda não tive oportunidade de responder ao teu mail do Natal, e sobre a biodança ;)
Aguarda-me.

E olha... deixo-vos um pedaço meu no Citadel. Saudades apenas.

Beijinhos Jorge