13.5.07

Between Strangers

(Mira Sorvino e Klaus Maria Brandauer, em Between Strangers)


Quanto custa alimentar um sonho? E esperar longos anos até que esse sonho se concretize? Muitas vezes, pensamos nós, esse sonho é uma mera imagem de algo que poderíamos ter feito, mas nunca concretizámos. Outras vezes, é mais realista e pode se concretizar desde que o queiramos. No filme Entre Estranhos (Between Strangers), Sophia Loren vive um sonho: pintar e visitar Florença, nem que seja durante um dia e admirar as inúmeras obras de arte que aí poderemos encontrar. No entanto, vive em Toronto e toda a sua vida foi dedicada a alguém que perdeu a capacidade de andar. A pintura, a arte, o sonho foram abandonados pela descoberta do mundo real. É preciso regressar ao estado de juventude e voltar ao mundo do lápis.


O pai de Mira Sorvino também tem um sonho. Que a filha se transforme numa grande fotógrafa, tão grande como ele, com inúmeras fotografias publicadas na capa da Times e de outras revistas especializadas. A 1ª foto já foi premiada, uma que a jovem fotógrafa tirou em plena Guerra de Angola. Faltam as outras. Mira Sorvino, porém, pensa que uma fotografia, uma imagem, não retira ao fotógrafo a responsabilidade de intervir socialmente. Que interesse pode ter uma fotografia quando o mundo que nós fotografamos está a desabar naquele preciso momento? Não teremos nós a responsabilidade de impedir que o mundo se desabe à nossa volta e pensar na Arte apenas depois? Não será a Arte uma forma de impedir que o mundo se desabe e se transforme num pátio de destroços? A personagem interpretada por Mira Sorvino pensava que tinha responsabilidade perante o mundo e que essa responsabilidade não se limitava a carregar num pequeno botão e imortalizar uma pessoa moribunda. Não é a máquina fotográfica que imortaliza, mas o toque humano, o olhar, o dar a mão. Claro que tirar uma fotografia, escrever, pintar pode imortalizar aquele olhar, aquele modo de pensar e ver a sociedade, mas se não fizer uma pessoa melhor, que adianta? Olhamos para as fotos, para os quadros, para os poemas e não descobrimos neles a beleza que eles possam ter. Porque a beleza pode não ser a beleza para mim, mas a beleza para os outros. E, nesse caso, a Arte é um tanto egoísta porque atinge quem ela quer e em momentos diversos da nossa vida.


Outro dos personagens, interpretado por Malcolm McDowell, não tinha um sonho bem definido. Apenas queria sair da prisão e iniciar uma vida nova. Com um passado bem violento atrás das costas, a tarefa é bem difícil. Ainda por cima, com os ódios familiares de quem sofreu na pele a sua violência...


Em suma, Entre Estranhos é um filme interessante, embora discreto. Sabe bem entrar na vida das pessoas, tocar na sua pele e sair com um pouco de sangue nas mãos. Penso que vá estrear no Quarteto nos próximos tempos, provavelmente, num ciclo especial.


Jorge Vicente

3 comentários:

Ana Paula disse...

Olá! Venho retribuir a simpática visita. Vejo que tem interesse por cinema. Também aprecio imenso. Concretamente, não vi este filme mas vou estar atenta caso apareça por aí, agora, por exemplo no Quarteto, como assinala. A temática da fotografia é algo que actualmente me desperta a maior curiosidade. De facto, interessei-me pelo filme, a partir do seu comentário.
Uma boa semana!
Ana Paula

jorge vicente disse...

ana paula,
o filme é interessante, mas é discreto. a força dos actores é que faz o filme. e isso já é muito.

uma boa semana também para si
jorge

Anónimo disse...

Olá fofinho Jorge, meu querido irmão! Não te vejo há umas horas e já tenho saudades!! (não tou a brincar...) Ainda bem que encontrei aqui este teu blog, está lindo. Acho que vou ter de fazer o mesmo com o bloggingburt... Deram cabo do blogcity com tanto gadget complicadíssimo! Gostei do que dizes deste filme e gosto dos actores. A Mira Sorvino é fantástica, tentarei ver nos próximos tempos... quems sabe! Beijinho! meiadeleite