17.4.09

joão botelho, a corte do norte



(ana moreira numa cena d'a corte do norte)


talvez um dos maiores pecados do cinema português seja refugiar-se no velho cinema de autor, intelectual, artístico, com uma bela fotografia, mas sem personagens que nos cativem, sem aquele toque humano que caracterizou o magnífico trabalho de bruno de almeida, the lovebirds. talvez seja isso ou talvez seja apenas birra do público que teima em dizer mal do cinema português apenas porque não o percebe ou não faz por perceber. todos os argumentos são válidos e todos são falaciosos, depende do ponto de vista de cada um.

quanto a mim, o maior pecado d'a corte do norte resume-se a uma só palavra: teatro. muito do cinema de autor português (e aqui incluo, obviamente, manoel de oliveira) é demasiado teatral, com falas retiradas de excertos de livros, poemas, frases que pouca gente usa no dia-a-dia, a rejeição do falar comum, quotidiano. (excepção: a caixa) claro que isso não tem mal nenhum, mas retira um pouco da emoção ao filme, transforma-o numa obra literária e não num filme propriamente dito. contudo, não deixa de ser um filme interessante: agustina bessa-luís é uma excelente construtora de palavras, uma poetisa; a madeira é um sítio magnífico e ana moreira tem um dos olhares mais fortes do cinema português. contudo, neste filme não prende como prendeu em transe, de teresa villaverde. é o que eu digo: olhar, emoção, personagens de carne e osso a entoar pele em todos os poros.

jorge vicente



(trailer d'a corte do norte)

3 comentários:

a mesa de luz disse...

:) boa noite! não estava a pensar ver, mais pela Agustina, assim confirmo e é pena. beijinhos

TMara disse...

não vi. Li o livro.
Como últimamente tenho viso poco cinema e nenhum português quedo-me na minha ingorância.
Bj
Luz e paz

jorge vicente disse...

pois é, querida amiga. eu não li o livro, mas o problema não está no livro mas sim na visão de que o bom cinema português deve ser teatral, intelectual, difícil.

eu não concordo com a comercialização do cinema português (como aconteceu na versão portuguesa de "o crime do padre amaro), mas sim numa maior aproximação dos problemas do dia-a-dia, do quotidiano, da linguagem das pessoas. é isso: gosto de filmes que falem de pessoas, sentimentos, emoções fortes sem teatralidade.

um grande abraço e beijinho
jorge