9.2.09

a noite abrir-nos-à



(escultura de margarita checa, "energy", s/d)


9.

a noite abrir-nos-à naquilo que vomita. naquilo que fere. naquilo que fica depois. é assim tudo o que transcende a sombra. aquilo que ela representa. o múltiplo de dois. a essência vestida ao contrário.

amanhã, acordarei e escreverei um poema onde possa dizer: alimenta-me de silêncio e escreve-me um poema sem palavras. iremos juntos ao cinema e abrirei o véu da tela para que possas descortinar o céu atrás das ruas da cidade. os olhos serão pedaços de chamas deitados na pedra-mármore ou na escrita-papel. não há ruas que possam existir se não puderes abandonar a escrita e chamar pelo meu nome. a sombra só será verdadeira se o poema for o único modo de existir.

não é. a sombra é tudo aquilo que não conseguimos dizer pelo corpo. a roda. a ciranda dos pássaros. a beleza da esteva em noite de caminheiros: tudo isso existe sem a poesia e sem as palavras.

jorge vicente

2 comentários:

alice disse...

seres poema é o único modo de existires, e ainda bem :) adorei, jorge. um beijo grande.

jorge vicente disse...

e ser poema, amiga, vai muito além das palavras. entra em cada parte do corpo. é o corpo. e é a dança desse corpo.

um beijinho
jorge