8.12.08

a noite abrir-se-á



(fotografia de heinrich riebesehl, "ohne titel, aus des serie agrarlandschaften", 1976)


7.

a casa: grande pombal de pele (1). no dizer do jovem poeta. grande habitação branca, onde os antepassados vivem e contam histórias, velhas histórias, daquelas que o demo nos guardou e afastou de deus para que o santo nome da lareira não invocasse o pão e o inverno. a casa: senzala de pretos e senhores da terra, nome de poetas e território imaginado. a utopia dos livros abertos quando nos ausentamos do sentido. a raíz da mãe.

jorge vicente

(1) expressão inspirada no dizer de joaquim nabuco a respeito da senzala: "o grande pombal negro".

1 comentário:

alexandraonelight disse...

amigo, esta tua série de poemas, em que a noite se abre, "abre-nos" um universo extraordinário - um universo que nos entra, através dos poros, até ao âmago, talvez só secreto porque às vezes não nos abrimos à sua revelação, de nós mesmos; esse âmago que é uno, com a noite, o dia, a terra, o fogo, a raíz e a mãe de tudo... todos os poemas, como as histórias do tempo para além do tempo; o âmago que é uno - Um - também com a luz do poeta... e o poeta.
Um beijo grande,
Alexandra