20.5.08

his dark materials: the subtle knife (philip pullman)




estava já a arrumar as coisas aqui no escritório, a preparar-me para sair, quando reparei que não tinha feito o post sobre o último livro que li: his dark materials: the subtle knife, de philip pullman. este volume é o segundo de uma trilogia que se iniciou com northern lights, já referido neste blog (aqui) e é uma excelente obra de fantasia, recomendada a miúdos e graúdos, mas melhor compreendida pelos mais velhos, porque imbuída de conceitos altamente abstractos e filosóficos. de facto, o que a obra nos transmite é uma inversão dos valores tradicionais da igreja, em que o deus católico é o deus bem-amado, o deus que ama as suas criaturas e que deseja o bem último para toda a sua criação. na obra de pullman, a autoridade (que representa deus) é justamente o contrário: tirana, com a sua hierarquia de anjos, mantendo uma mentira ao longo dos milénios e engando a humanidade. percebe-se, contudo, que aquilo que pullman pretende confrontar não é a figura de deus em si, mas a imagem que a igreja nos transmitiu: o que fica do nosso livre-arbítrio, da nossa liberdade, da nossa capacidade de decisão? porque não a revolta? o conflito aberto?

em suma: é o regresso de lúcifer aos reinos da autoridade, com uma nova vontade, com um novo poder. com uma nova loucura, talvez? o resto fica para daqui a alguns meses, quando acabar o terceiro volume. até lá, vou acompanhar lyra e os seus amigos na demanda de lorde asriel, o novo lúcifer.

jorge vicente


p.s.

existe um filme baseado no 1º volume, com daniel craig e nicole kidman, mas o resultado é tão desanimador que dói. para efeitos comerciais, retiraramm boa parte da história, inclusivamente a parte final que, na minha opinião, é das mais importantes do livro.

9 comentários:

M. disse...

Eu ia adorar ler o livro. Filmes raramente aprecio pela razão que enuncias: retiram sempre o conteúdo mais importante.

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perdi muito aqui para trás.. mas também postas que te desunhas :(
e venho deixar-te um beijinho que vou por uns dias.
Na bagagem apenas o essencial a acompanhar a "Ascensão do Fogo" e o "ciclo menstrual da noite".
Uma combinação explosiva de certeza.

Abraço grande Jorge ;)

jorge vicente disse...

é o fogo e é a noite

o espírito e o corpo

grande fim-de-semana para ti e muitos beijinhos

jorge

isabel mendes ferreira disse...

obrigada Jorge.



pela leitura e pela não desistência.





beijo.

john disse...

m.: não necessariamente. poderia dar-lhe o exemplo da adaptação cinematográfica de "o senhor dos anéis" - sim, alguns elementos foram retirados (mas o que iria acrescentar tom bombadil ao filme?), outros viram a sua ordem narrativa alterada, e outros foram mesmo alterados. mas isso deve-se ao facto de as narrativas literária e cinematográfica se socorrerem de linguagens necessariamente diferentes. tolkien não ficaria decerto decepcionado com a obra de tolkien - quanto mais não fosse, pela beleza dos cenários, ou pelos brilhantes desempenhos de ian mckellen, viggo mortensen ou elijah wood.

o que, evidentemente, não acontece na adaptação de "the northern lights". o jorge tem razão na crítica que faz (e que eu também fiz no meu blogue quando o filme estreou). o problema, a meu ver, nem é tanto o desfecho ter sido cortado (quando, curiosamente, aparecia no trailer - creio que a sequela, a ser filmada, começará com essa cena, para dar um efeito "batalha de gandalf contra o baelrog de morgoth em mória, o que é um disparate pois cortaram o clímax do filme). o problema é a história ser basicamente narrada em "fast forward" até à chegada da lyra a trollesund. não há desenvolvimento de personagens, e faltam outras muito importantes para as sequelas (lord boreal, por exemplo). algumas cenas viram a sua ordem trocada sem que isso fizesse qualquer sentido. e na introdução (também muito, mas mesmo muito inspirada n'"o senhor dos anéis", reparou?), disse-se demasiado. enfim, salvam-se os efeitos especiais, que por mais espectaculares que possam ser nunca irão, por si só, fazer um bom filme.

e ena, que me alonguei no comentário. é o que acontece quando o jorge começa a escrever sobre um dos meus livros preferidos! abraço.

M. disse...

john

Muitíssimo obrigada :)
Continuo contudo a preferir a leitura ao filme.

EM "O NOME DA ROSA" tive também a oportunidade de verificar que ler me provocou mais sensação e suspense do que o filme que também foi espectacular. mas mas mas.. são aqueles pequenos pormenores que nos marcaram na leitura

Abraço

jorge vicente disse...

contudo, há filmes que são infinitamente superiores aos filmes. um exemplo: alguns filmes de john ford foram inspirados em pequenos livros de cowboys vendidos nos quiosques, livros esses que eram de pouca qualidade e que john ford transformou em autênticas obras de arte.

um beijo
jorge

john disse...

m.: concordarei sempre consigo, salvo algumas excepções (como as que o jorge mencionou). mencionei o filme d'o senhor dos anéis, que achei extraordinário; contudo, os livros são claramente superiores. lá está, linguagens diferentes :)

e depois há adaptações francamente más. o northern lighs, que tem uma história fantástica, foi uma delas.

o nome da rosa ainda não vi ou li - ando com isso na lista há demasiado tempo . . . .

Bandida disse...

enquanto houver palavras é pelo preto no branco e vice-versa... a constante luta entre o sim e o não... porquê?... porque sim!

beijo jorge!

sinhã, a. disse...

O lúcifer é bom: permite crimes perfeitos. :-)