23.8.07

Festival Al-Buhera

No passado fim-de-semana (dias 18 e 19 de Agosto), assisti a um grande festival em Albufeira: o Festival Al-Buhera. Tal como o nome indica, este é um festival inter-cultural, um autêntico painel de culturas, um encontro, um melting pot das tradições africanas, brasileiras e europeias. De facto, Al-Buhera é o nome originário da cidade de Albufeira, numa altura em que os árabes dominavam os territórios a sul do Tejo.

Cheguei às 20.30, hora em que o festival começava, e comecei logo a ouvir batuques. Na rua principal de Albufeira que vai desembocar no Largo do centro, o Ballet Nacional Kora, do Senegal, dançava e dançava e incentivava o público a participar da dança. O público mostrava-se um pouco tímido, apesar de alguns darem uns passinhos. O Ballet Nacional dançou um pouco por todo o centro de Albufeira, connosco atrás e sob o olhar atento e feliz dos turistas. Quando chegaram ao local do festival, acabaram o espectáculo e começou o festival propriamente dito. Quem actuou primeiro foi a cantora brasileira Cristiane Sollari. Na minha opinião, foi uma grande desilusão. No princípio, ainda esperava alguma coisa de interessante pois via marimbas, djambés e outros instrumentos tradicionais. Mas, quando Cristiane Sollari começou a cantar, verifiquei que não se tratava mais do que uma espécie de Banda Eva meets forró e achê. Ou seja, música demasiado massificada para eu gostar. No entanto, a cantora tinha uma energia fantástica. Mas, só isso. O site de Cristiane Sollari aqui.



(foto retirada de http://www.coliseudoporto.pt)

A banda seguinte foi muito mais interessante: o grupo de Itália Spakka Napoli. O concerto foi muito interessante, a voz da cantora Monica Pinto é fantástica e eles desenvolveram uma mistura muito bem conseguida entre modernidade e tradicionalismo. O ponto alto da actuação foi quando Monica Pinto cantou uma canção tradicional napolitana. Muito bom, apesar de ter como rivais as bandas do segundo dia, que irei falar a seguir. Spakka Napoli aqui.



(imagem retirada de: http://www.elenabermudez.com/pagina/spaccaes.htm)

O segundo dia do Festival Al-Buhera foi qualquer coisa de genial. A noite começou com a actuação do Grupo de Gaitas da CEA, de Ourense, pelas ruas de Albufeira. É sempre tão bom ouvir os sons da Galiza e da música céltica, uma das minhas músicas favoritas. É como se voltasse ao tempo das cantigas d'amigo ou se viajasse um pouco, subindo as escarpas das montanhas da Galiza ou dobrando os joelhos perante os olhos de Sant'Iago. Maravilhoso. O site deles aqui



(Banda de Gaitas da CEA, retirada do site: http://www.bandadegaitasdecea.com)

Já no palco, a Banda Alhada começou a tocar. É uma banda de Albufeira e toca músicas do nosso cancioneiro. Na sua actuação, também viajei um pouco: assisti ao raiar da bela aurora no belo Alentejo, subi às Beiras e dancei um pouco, parti para a Madeira. Viajei até ao Algarve, voltei para o Alentejo para trabalhar um pouco na monda. Foi um concerto absolutamente espectacular. A Banda aqui.



(imagem retirada de: http://abandaalhada.pt.vu)

A seguir, Eneida Marta, da Guiné, ofereceu um cheirinho de África. A morna, o gumbe, a singa, mas também o Gospel, o Jazz, o Flamenco num concerto magnífico. Estava constantemente a pedir aos homens para dançarem, mas só as mulheres davam o passinho. Excepto eu, que era dos poucos homens que dançavam.Fantástico. O site de Eneida Marta aqui



(imagem do disco Considju, de Eneida Marta. Fonte: Griotsound, S.L, artista Eneida Marta. O site onde retirei a foto é: www.griotsound.com/webeneida

No final, a Brigada Víctor Jara. Um maravilhoso concerto. A voz magnífica de Catarina Moura deu o mote e cantou Portugal como ninguém, conjuntamente com os restantes músicos da Brigada, que estão a festejar 32 anos de existência. De facto, a Brigada é um dos melhores grupos portugueses e é uma das bandas que mais soube interpretar e reinterpretar a nossa tradição musical. Cantigas do Alentejo, do Minho ("Cana Verde"), Escócia, das Beiras, do Algarve, de Zeca Afonso, da Aldeia do Rio de Onor, etc, foram apenas algumas das amostras. Estou grato, profundamente grato, pela Brigada existir. Não são só os poetas que têm a obrigação de preservar a tradição portuguesa, mas também os músicos, os compositores, os cineastas, os autoresem geral. Para mantermos o espírito da nossa gente e do nosso povo, que é o maior povo do mundo. O site da Brigada aqui



(foto da Brigada, da autoria de Xico Aragão e retirada do site: http://www.brigadavictorjara.pt/fotos.html)

Jorge Vicente

2 comentários:

Luis Eme disse...

Grande viagem pela música do mundo...

Gracias.

El tropiecista... disse...

Hola, son un gaiteiro da Banda de Gaitas de Cea. Quería agradecerche os teus comentarios sobre o noso concerto no Algarve, e invitarte a que, se algun día tes a oportunidade, nos vexas coa banda ó completo, pois como poderás comprobar a través das fotos que saen na nosa web, a do Algarve era una representación pequeniña do noso grupo. Un saudo e moitas gracias