30.1.13

poema



(larkin grimm, retirado daqui)


2.

POEMA PARA LARKIN GRIMM

certa noite, o devandra disse-te:
a tua música é como uma prisão
é como estar fechado num lugar
muito escuro e ouvir o som

eu digo-te: nada do que tu cantas
ou exprimes pela voz pode ser uma
prisão, talvez um ponto pequeno
na grande planície branca

(ou um ponto/deserto, uma esfera
demoníaca que dissesse ou soubesse
de tudo)

certa noite, disseste ao devandra:
faz-me uma tatuagem no braço direito,
afinal és o arauto de deus, tens uma
barba plena e todos os homens que forem
como tu saltarão por cima de silvas amarelas
e cantarão da voz e dos caminhos do sal

porém, nada disso me interessa
quando ouço a grande voz americana
soletrando uivos de coiote

é provavelmente porque sou animal
de poder numa cidade em desintegração.

jorge vicente

4 comentários:

Luma Rosa disse...

O que estaria Devandra suscitando ao dizer tal coisa? Talvez o sentimento gerado fosse a exposição do que é evidente para os humanos. Estar vivo é estar preso a um corpo. Um corpo que possui cantos escuros.
Devendra Banhart e Larkin Grimm são dois místicos viajantes.
Bom restinho de semana!!

Orvalho do Céu disse...

Olá, Jorge
Todos temos um pouco de selvageria e ficamos desintegrados... É a nossa condição de "humanos"...
Bacana sua forma de escrever poeticamente!!!
Estou voltando das férias...
Abraços fraternos de paz e alegria

jorge vicente disse...

Obrigado, amiga!

Só hoje li o seu comentário. Talvez Devandra esteja mesmo se referindo aos cantos escuros, mas cantos escuros temos todos, inclusivamente os mestres, os místicos viajantes, os poetas!

Espero que esteja bem!

Tenha um maravilhoso final de dia!

Abraços
Jorge

jorge vicente disse...

Minha querida amiga, só agora li o seu comentário!!!

Não sei se um pouco de selvagem significa desintegração... penso que a dose mínima e saudável é a mais equilibrada ;)

Muitos beijos
Jorge