8.2.12

a experiência de hitler



(fotografia histórica presente no simon wiesenthal center, los angeles). Também presente no site: http://donaldwoodman.com/gallery/the-holocaust


"A Experiência de Hitler tornou-se possível em resultado da consciência de grupo. Muitas pessoas preferem dizer que Hitler manipulou um grupo - neste caso, os seus compatriotas - através da argúcia e mestria da sua retórica. Mas isso coloca muito convenientemente toda a culpa aos pés de Hitler - que é exactamente onde a esmagadora maioria das pessoas a quer.

Mas Hitler nada podia fazer sem a colaboração, o apoio e a submissão voluntária de milhões de pessoas. O subgrupo que se apelidava de alemães deve assumir uma enorme carga de responsabilidade pelo Holocausto. Como deve, até certo ponto, o grupo maior chamado Seres Humanos que, se nada mais fez, se permitiu permanecer indiferente e apático perante o sofrimento na Alemanha até este ter atingido uma escala tão maciça que até os isolacionistas de coração mais duro não o puderam continuar a ignorar.

Como vês, foi a consciência colectiva que forneceu o solo fértil para o crescimento do movimento Nazi. Hitler aproveitou o momento, mas não o criou.

É importante que percebas aqui a lição. Uma consciência de grupo que fala constantemente de separação e superioridade produz perda de compaixão numa escala maciça e a perda de compaixão é inevitavelmente seguida da perda de consciência.

Um conceito colectivo enraizado no nacionalismo rígido ignora a desgraça dos outros, e no entanto torna os demais responsáveis pela vossa, justificando assim a retaliação, a «rectificação» e a guerra.

Auschwitz foi a solução Nazi - uma tentativa de «recrificar» - para o «Problema Judaico».

O horror da Experiência de Hitler não foi o ele tê-la perpetrado contra a raça humana, mas o facto de a espécie humana lho ter permitido. O espanto não é só o ter aparecido um Hitler, mas também que tantos outros o tenham seguido.

A vergonha não é apenas que Hitler tenha morto milhões de judeus, é também terem tido que morrer milhões de judeus antes que Hitler fosse travado.

O propósito da Experiência de Hitler foi mostrar a Humanidade a si própria." (1)

Neale Donald Walsch


(1) WALSCH, Neale Donald - Conversas com Deus: livro 2. 5ª ed. Cascais: Sinais de Fogo, 2002. ISBN 972-8541-10-4. p. 84,85.

8 comentários:

RUTE disse...

E cá estou eu de novo, para opinar :)

Sabes que percebi que a educação no tempo do Hitler foi algo de fundamental para a consciência de grupo. E continua a ser. Pena que não se reformule a educação de modo a incluir disciplinas de meditação, espiritualidade, entre outras ligadas ao crescimento do ser.

No filme "O Rapaz do Pijama às Riscas", há uma parte em que a personagem principal, o filho pequeno do General Alemão, é obrigado pelo Professor particular a ler um texto do manual escolar.

Apesar do miúdo não ter qualquer ideia formada sobre os judeus e ter se tornado amigo de um menino de pijama às riscas (judeu), ele lê o texto que supostamente teria o objectivo de "lavagem cerebral":

«O Judeu caluniou-nos
e incitou os nossos inimigos.
O Judeu corrompeu-nos
com maus livros
Gozou da nossa literatura e música.
Por todo o lado
teve influência nefasta,
com o resultado final
do colapso da nossa nação.
O objectivo do Judeu
é mandar na Humanidade inteira.
O Judeu não é criativo
mas destrutivo.
É o inimigo da cultura.
Milhares de alemães
viram-se empobrecidos por causa do Judeu.»

Repara no poder das palavras!
Porque não utilizar este poder para Bem, em vez de para o Mal?
Para a universalidade em de para a separabilidade?
Beijinhos.
Rute

jorge vicente disse...

Amiga,

e todo esse poder da palavra está bem patente no célebre discurso que o Hitler fez em não me lembro que cidade, e que a Leni Rieffenstahl penso que filmou. Ouvi o discurso em alemão, sem legendas, e senti-me arrepiado só de ouvir as palavras. Senti elas quase como facas que tornavam a minha pele mais fria. Será que é isso que sente alguém quando está perante o Mal? Ou como será olhar no rosto de alguém que personifica / pode personificar o Mal? O que sentiríamos?

Essa nova educação está a aparecer. Já apareceram algumas promessas: Paulo Freire, a Pedagogia Waldorf, a Educação Biocêntrica (que espero vir a ganhar Pós-Graduação ainda este ano), etc. É um novo mundo que se está a criar e o que devemos fazer é aceitar, acolher e reverenciar.

Um grande beijinho, minha amiga.
Jorge

RUTE disse...

Por falar em discursos, conheces o discurso do filme "O grande ditador", interpretado por Charlie Chaplin?

Machine man, with Machine minds and Machine hearts

jorge vicente disse...

Oh sim! :D

Lisa Alves disse...

Esses estava comentando que vejo uma geração de jovens reacionários florescendo aqui no Brasil e consegueria apontar alguns que provavelmente seguiriam as idéias de um novo Hitler. Hitler foi o nome da desculpa nazi.

Anónimo disse...

without a single drop of bad blood ,not certainly german blood ,nietzsche

jorge vicente disse...

Obrigado pelo comentário, Anonymous!

Abraços!
Jorge Vicente

jorge vicente disse...

Há tantas desculpas para tantos dos crimes que os grandes senhores do mundo cometem!!!

Mas enfim...

Um grande abraço, Lisa!
Jorge