6.11.08

are we free men or slaves?



(fotografia de gundula schulze eldowy, "selbstportrait mit robert frank", 1990)


"Alguma vez observaram que existem duas classes de doentes [...] escravos e homens livres? E os médicos de escravos correm de um lado para o outro e curam os escravos ou esperam-nos nos dispensários. Os profissionais deste tipo nunca falam individualmente com os doentes nem os deixam falar sobre as suas queixas individuais. O médico de escravos receita o que sugeres a mera experiência, omo se tivesse um conhecimento exacto; e depois de dadas as suas ordens, como um tirano, apressa-se a dirigir-se a outro servo que esteja doente.

[...] Mas o outro médico, que é um homem livre, atende e exerce em homens livres; e leva as suas investigações mais atrás e vai à natureza da perturbação; envolve-se em discurso com o paciente e com os seus amigos e, ao mesmo tempo que obtém informações do homem doente, dá-lhe instruções à medida das suas capacidades e não lhe receita até o ter previamente convencido.

[...] Se um desses médicos empíricos, que praticam a medicina sem ciência, encontrasem o médico cavalheiro a conversar com o seu paciente cavalheiro utilizando linguagem próxima da filosofia, começando no início da doença e discorrendo sobre toda a natureza do corpo, explodiria de riso. Diria o que a maior parte daqueles a quem chamam doutores têm sempre na ponta da língua: «Homem insensato», diria: «não estás a curar o homem doente, mas a educá-lo; e ele não quer ser doutor mas sim curar-se.»" (1)

platão


(1) PLATÃO apud SIEGEL, Bernie S. - Amor, medicina e milagres. 1ª ed. Lisboa: Sinais de Fogo, 2004. ISBN 972-8541-47-3. pgs. 50-51.

2 comentários:

Valéria Freitas disse...

Obrigado pelo comentário deixado em meu "caderno de rabiscos". Adorei conhecer mais sobre você, o que escreve e os outros espaços como este aqui. Ainda estou lendo...Volto.
Abraços,

Val Freitas
http://curvasconcretosquadris.blogspot.com

Carla disse...

e pergunto-me: não estará muitas vezes a cura da doença nessas palavras que o homem/médico livre consegue dizer?
Ser médico devia ser bem mais do que passar a receita da praxe...devia ser saber ouvir, falar para educar, sentir para medicar.
E creio que isto não se aplica só à medicina
beijos