15.3.08

Die Fälscher (Stefan Ruzowitsky)



(imagem de die fälscher)

por vezes, tenho a sensação que os críticos de cinema se deixam invadir por aquele grande pecado: assimilarem o filme apenas na sua dimensão técnica e intelectual e esquecerem a dimensão emotiva. claro que podem contrapôr: essa dimensão emotiva não passa de uma técnica de manipulação das emoções, tão própria de certo tipo de cinema. é verdade, mas, também não nos podemos esquecer que o nosso corpo é feito de emoções e de vivências e, muitas vezes, vê-las representadas no grande ecrã faz-nos sonhar, rir, chorar, sentir nesse mesmo corpo o que o actor transporta. por isso, chaplin é mais bem-amado do que jean-luc godard, ingmar bergman mil vezes superior a manoel de oliveira (perdoem-me os amantes da obra de manoel de oliveira): a emoção está toda lá, em calvero (limelight, de chaplin), nas lutas entre marianne e bergman (no filme trolösa, realizado por liv ullman, mas com argumento de ingmar bergman), e tantos outros.

e, por isso, dïe falscher é um bom filme. talvez não o melhor filme para ganhar os óscares de melhor filme estrangeiro, mas sempre um filme interessante e que nos preenche a nível emotivo. conta a história de um judeu falsificador de documentos que é apanhado e levado para um campo de concentração. lá, conhece outros reclusos e é obrigado, conjuntamente com os outros, a falsificar dinheiro para os nazis. as condições nesse campo de concentração são mais bem avantajadas do que os outros: "os trabalhadores judeus trabalham para nós e dão-nos aquele dinheiro que o partido quer. por isso, têm de ser bem tratados" - dizem os alemães. no entanto, o drama subsiste. a guerra é a guerra e o racismo, o ódio, a barbárie alemã continua, mesmo que pareça um sítio melhor. nunca há sítios bons para morrer, digo eu.

o filme foi agraciado com um óscar de melhor filme estrangeiro este ano. e os críticos lá disseram: mais um filme sobre o holocausto? os tipos de hollywood dão o óscar a todos os filmes que falem sobre o holocausto. manipulação das massas, por certo! e o povo não percebe. e nós dizemos: não nos interessa saber se um determinado filme manipula ou não as nossas emoções, desde que o faça de forma inteligente e séria (não me estou a referir aos filmes norte-americanos hiper melodramáticos), não nos interessa racionalizar demasiado nem ver o filme apenas na sua dimensão de entretenimento. o que nos interessa é sentir, aquela palavra mágica que os críticos têm tanto medo de soletrar.

e é por essa razão que a morte de calvero foi a morte mais bela da história do cinema.

p.s.
e, já agora, o título em português é os falsificadores.

jorge vicente



(trailer do filme die fälscher)

5 comentários:

anad disse...

Gosto do seu blogue e vou voltar mais vezes.
Anad

alice disse...

uma crítica muito boa conforme nos tens habituado. tenho de ir ver o filme! beijinho muito grande, jorge

Maria disse...

Fabuloso este post, Jorge.
Tenho, por força, que ver este filme.
A avaliar pelos seus olhos ...

Um beijinho amigo
Maria

A Mesa de Luz disse...

Muito interessante Jorge! Fujo de filmes emotivos como o diabo da cruz. Não aguento, respeito quem os sobrevive! Beijinhos pascoais
Ana

A Mesa de Luz disse...

Jorge, meu amor, tens toda a razão! Lamechice é que não. Vida sim, e sempre. Beijinho nocturno. Ana