17.12.07

Napalm Death, Scum e a vanguarda musical

Podem achar estranho que escreva sobre os Napalm Death, uma das bandas mais agressivas de heavy metal que já ouvi. Podem achar estranho e não concordar, salientando que o heavy metal é um género menor, indigno de quem quer apreciar música séria e inovadora. Provavelmente, pensarão que é música de alguém que não está muito integrado na sociedade e se encontra desiludido com o estado do mundo. Muitas das vezes, isso é verdade. Muitas das bandas de metal limitam-se a descarregar fúrias de sons, com pouca musicalidade e com pouco talento.Ou pelo menos, com aquele talento que nós não podemos compreender. Os Napalm Death, em princípio, encaixam-se na perfeição nesse estereótipo: caos musical, grunhos, guitarras estridentes sem nenhuma musicalidade. Ou seja, uma banda desinteressante e chata.Pelo menos, para mim.

No entanto, foram os Napalm que me fizeram aceitar cada vez mais os músicos de metal, foram eles que me fizeram ver que os músicos de metal, mesmo aqueles que integram bandas muito pesadas e chatas, podem ser excelentes, ao nível dos maiores inovadores do jazz e da música contemporânea.

Senão vejamos:
Justin Broadrick, na guitarra. Membro dos Godflesh (banda industrial experimental), Jesu (banda de rock experimental), Head of David (metal industrial), Sunn O)))(rock experimental), Fall of Because (metal industrial), Final (dark ambient), Ice (electrónica experimental), Techno Animal (electrónica experimental), God (rock experimental/free jazz, com colaboração de John Zorn), etc.

Mick Harris na bateria. Membro dos Painkiller (free jazz), Scorn (industrial e, mais tarde, electrónica), Lull (ambient),etc. Colaborou, também, com alguns músicos de electrónica experimental.

Nik Bullen no baixo e voz. Membro dos Scorn.

Bill Steer, na guitarra. Membro dos Carcass (death metal), Firebird (hard rock).

Lee Dorian, na voz. Membro dos Cathedral (doom), Teeth of Lions Rule the Divine (rock experimental/drone).

E o que é interessante é que a maior parte destes projectos vale realmente a pena, não sendo, como em muitos outros casos, aproximações ao mainstream. Os membros da formação inicial dos Napalm Death eram músicos fantásticos, que transformaram um género menor como o metal num género que podia ser inovador, vanguardista e tremendamente artístico.



(vídeo dos Painkiller, com John Zorn, Bill Laswell e Mick Harris)

Jorge Vicente

2 comentários:

rato do campo disse...

Ui! Há qu'anos que eu não ouvia falar dos Napalm Death... Não que eu gostasse, mas na minha adolescência tardia gostei muito de alguém que os idolatrava... Abraço!

jorge vicente disse...

Eu não gosto da música que eles fazem, mas os outros projectos dos músicos da banda são muito interessantes. Pelo menos, a nível de inovação.

Mas, de todos os projectos subsequentes, recomendo os Jesu.

Abraço
Jorge