16.10.07

Crise de valores ou valores a mais?



(fotografia de Irving Penn, "Three Rissani Women", 1971))


"Os adultos egotistas egocêntricos dir-te-ão que hoje em dia a sociedade atravessa uma crise de valores. Eu não partilho nada desta ideia. É da repetição e do apregoar dos valores que nascem sempre as guerras. Quem apregoa valores acha que é detentor da razão e torna-se protagonista de grandes guerras. Não há crises de valores. Os valores estão a mais nesta sociedade. Temos de nos ver livres dos valores.

Pensa no que fez o Hitler. Paranóico com os valores. E o Estaline? Paranóico com os valores? Olha para toda a história que te contaram. É óptima nesse aspecto. Analisa bem de onde veio tanta guerra. Vais ver que estão lá sempre os valores. Recua. Vai até à Inquisição. Em que se baseou? Vai até aos romanos. E eles? Vai até à democracia grega, que nunca funcionou. E ela? Vai até ao Alexandre de Macedónia... E agora volta até aos dias de hoje. Vês as guerras entre religiões, e mesmo entre fanáticos. O que vês? Mais valores. Ouve os sucessivos presidentes norte-americanos a falar. Alguns deles foram e são grandes protagonistas de guerras dos nossos dias. De que falam em cada discurso oco que proferem? De valores.

A sociedade jovem não precisam de valores. Precisa de referências. E repara que não digo modelos. Porque os modelos seguem-se. E tu não queres ser mais um seguidor. Aliás, os seguidores seguem sempre ideiais, ou seja, valores.

Referências de quê? De pessoas que ponham as fragilidades no centro das suas vidas. Pessoas que não iludam, não escondam as suas fragilidades, nem as das sociedades de que fazem parte. Pessoas completas, íntegras, honestas. Não nas palavras. Na capacidade de se observarem e de não mudarem nada." (1)

Luís Martins Simões



(1) SIMÕES, Luís Martins - És criador ou repetidor?: para jovens e adolescentes. Carcavelos: Angelorum Novalis, 2006. ISBN 989-607-048-2. pg. 73, 74.

8 comentários:

Luis Eme disse...

valores, referências, modelos, tem quase o mesmo significado e fazem parte das nossas vidas.

Quer queiramos ou não, somos máquinas de repetição. Na nossa infância a única coisa que fazemos e copiar... e fica tudo gravado... para todo o sempre...

jorge vicente disse...

concordo consigo

um abraço
jorge

MARIA disse...

Olá Jorge vicente,
Visitei o seu blog vindo atrás dos poemas do Lumife que nunca perco.
Gostei muito deste seu Amoralva.
Se não se importar farei link no meu " Maria".
Um beijinho cheio de bons ideiais...
Maria

jorge vicente disse...

claro que pode, fico muito agradecido

um beijo
jorge vicente

Amaral disse...

Eu estou perfeitamente de acordo com o que está aqui dito!
Os valores e as crenças que foram passando de geração em geração conduziram ao estado do planeta que conhecemos!
Todos os comportamentos humanos, ao longo da história, derivaram do acreditarem em valores que não resultaram senão em trágicas consequências para a humanidade.
Só com crenças diferentes se conseguirão comportamentos diferentes.
Por isso, temos muita esperança nas gerações que agora surgem e nas gerações de amanhã - que poderão ser os salvadores deste pobre planeta.

jorge vicente disse...

e é muito interesante constatar que o autor fala naquelas referências que põem as fragilidades no centro das suas vidas. essas, na minha humilde opinião, serão os verdadeiros mestres (se os houver!) porque não têm qualquer problema em emocionar-se perante algo.

desde o princípio da humanidade que nos têm impingido a ideia de mestres que estão lá em cima e nós cá em baixo

Um abraço a todos
Jorge Vicente

Lumife disse...

Belos textos de Luis M. Simões. Para ler e meditar.

Um abraço

isabel mendes ferreira disse...

crise de valores....


!!!!

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crie crise crise crise.


__________________beijo por um post mt inteligente.