6.8.07

José Fanha (Diário Inventado de um Menino Já Crescido)



(José Fanha, retirado de de http://catedral.weblog.com.pt/arquivo/145140.html)

José Fanha é uma pessoa fantástica. E um escritor fantástico, também. Um menino grande que encanta e dá lições de vida a todos quantos se aventuram a lê-lo. Eu acabei de lê-lo e aventurei-me nesse mundo encantado da infância, esse mundo que muitos adultos teimam em manter encerrado, perdido, fechado a sete chaves. Sem soltá-lo e deixá-lo à rédea solta, esquecendo que, um dia, houve uma avó e um pai e uma lareira na noite de Natal e presentes e todo o mundo encantado que todos nós pensamos ser nosso.

Nada do que é nosso nos pertence verdadeiramente. Pertence, antes, à humanidade e ao nosso passado colectivo do qual guardamos lembranças e sorrisos constantes. Amamos esse passado. E esse presente. E esse futuro. Toda essa história está presente no livro de José Fanha que eu li, Diário Inventado de um Menino Já Crescido. É um livro para a infância e para a criança que todos nós já vivemos. No Diário, encontro essa parte da História do nosso país que muitos de nós vivemos: o perido salazarista. O encontro com o Director da Escola, moralista e que nos enferniza a vida com os pecados que cometemos, a grande importância de todos os nossos antepassados (o pai, a avó, os nossos amigos que já partiram), as questões em relação ao futuro. É pena que muita da Literatura actual tenha perdido essa dimensão humana que a obra de Fanha nos apresenta.

Aqueles que nos precederam agradecem.

"Eu gostava de acordar cada dia e ter a minha mãe ao meu lado. E o meu pai. E a minha avó. E todas as pessoas de quem gosto. Mais alguns já se foram embora. Para sempre. E isso deixa-me confuso. Porque para sempre é mesmo muito tempo.
Eu consigo perceber o que é uma hora. Percebo dez minutos. Percebo dez segundos que é uma medida de tempo que uma pessoa começa a dizer e já passou. E percebo um dia ou uma semana. Mas para sempre é tão difícil perceber...
Um dia, o meu pai foi-se embora para sempre. E eu esqueci-me de lhe dizer uma coisa. Nem sei bem que coisa era. Só sei que esta coisa que eu queria dizer ficou-me entalada na garganta. Para sempre." (1)


(1) FANHA, José - Diário inventado de um menino já crescido. Canelas: Gailivro, 2004. ISBN 989-557-147-X. p. 60, 61.

5 comentários:

aida monteiro disse...

Faço minhas as tuas palavras, amoralva, posso? e acrescento a sua simplicidade, simpatia e criatividade como contador de histórias. um verdadeiro
miminho para o coração de quem o escuta:)

falando do mundo encantado da fantasia
O Elefante Cor de Rosa, de Luísa Dacosta, conheces? muito belo mesmo. aconselho:)

um abraço.

r.e. disse...

tinha saudades de um blogue assim, onde valesse sempre a pena entrar. abraço. J.

jorge vicente disse...

vou ler, amiga. quando o encontrar:)

um abraço
jorge

Ana Catarina disse...

Também gostei de ler, até porque tem tudo a ver comigo. beijos

jorge vicente disse...

muito obrigado, catarina, pelo seu comentário!!

um beijo!!!
jorge