25.6.07

Terra da Abundância (Wim Wenders)


(imagem do filme Terra da Abundância, de Wim Wenders)

Serão os Estados Unidos a terra da abundância onde nada faltará, onde as oportunidades de emprego e de riqueza surgem, quase que caídas de uma montanha imensa? Serão os Estados Unidos a terra da prosperidade, onde o sonho americano é muito mais do que um sonho, é a construção de um futuro real e ideal, o tal Paraíso que, desde sempre, levou milhares de imigrantes a desembarcarem nas margens do rio Hudson? Serão os Estados Unidos a terra da justiça, da liberdade, da grande verdade que convive diariamente com os desalojados do mundo inteiro?

(imagem de Terra da Abundância, de Wim Wenders)
Provavelmente, tais ideais não passarão de balelas e apelos ingénuos de sonhadores que acham que o mundo é perfeito e que os Estados Unidos serão o paraíso sonhado por muitos e muitos anos. Pois bem: depois do 11 de Setembro, tal esperança ruiu. Aquilo que vinha caindo progressivamente, caiu de vez e a América não é mais o paraíso dos Antigos. Agora, é considerado o cancro do mundo, com o medo e a violência estampados no rosto de um Presidente que mais não faz do que pôr para fora da boca os medos nacionalistas dos americanos. Mas, felizmente, para muitos, continua a ser a democracia por excelência, o "meu país" segundo as palavras de Lana, a personagem interpretada por Michelle Williams. Um país que, apesar dos defeitos, ainda é o país das oportunidades.

Neste filme de Wim Wenders, Terra da Abundância (Land of Plenty), apresentam-se as feridas causadas pelo 11 de Setembro de um modo como eu nunca vi. John Diehl é perfeito no modo como representa "Uncle Paul", o ex-combatente do Vietname que persegue terroristas um pouco por todos os Estados Unidos com vista a desmantelar células terroristas. Claro está que quase todos os árabes que ele considera terroristas são pessoas normais, com problemas e que a paranóia está apenas na sua cabeça. A ajudá-lo está Lana, a sobrinha missionária recentemente regressada do Médio Oriente. Juntos, nadam nas feridas de um país que se quer revitalizado e novo, mas que insiste em perseguir inimigos imaginários. É provavelmente um país que tem medo de se desenraizar.

Jorge Vicente

1 comentário:

aida monteiro disse...

deixo um abraço, jorge.

ainda não vi o filme, mas certamente não o vou deixar «escapar».

obrigada,
por partilhares.