30.4.07

Sombra das Paredes



(pintura de Max Pechstein, "Toter Wald")



nas paredes da casa, uma sangria de corpos vai
crescendo a alimentar a pele as paredes
as velhas memórias dos homens já partidos.

seus olhos fechados por dentro, apenas fechados,
com o verso ainda dobrado na ausência do toque.

sigo o rasto da madeira e descubro-me na permanência
do fogo se entornaste o cálice, deus apenas
pressentiu a leve sensação de água correndo, limpando
e acariciando o caudal dos teus cabelos.

o labor do demo desapareceu na cantoria da pedra
e da fotografia.

Jorge Vicente

7 comentários:

isabel mendes ferreira disse...

.....sigo este rasto...


sombra de claridade.


boa tarde Jorge.

Bandida disse...

encontro-te. no caudal da vida.


beijo Jorge!


B.
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Entre linhas disse...

Os trilhos são demarcados por memórias vivas de um tempo que desapareceu...

Bjs Zita

delusions disse...

"seus olhos fechados por dentro, apenas fechados,
com o verso ainda dobrado na ausência do toque."

gostei muito...

Bjs* boa semana

alice disse...

nenhuma sombra há-de encobrir a luz que brota das tuas palavras *

Anónimo disse...

cântico....de serenidades...


______________________


beijo



grato

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(piano)

isabel mendes ferreira disse...

devolvo ao fogo o fogo.



que nunca a casa se desfaça.



____________________abraço.