16.10.07

Saber Dizer Não



(fotografia de Gordon Parks, "Malcolm X Addressing Black Muslim Rally in Chicago", 1963)

"Se alguém te pede para fazeres alguma coisa com que não estás de acordo, diz não. Não precisas de agradar a ninguém. Fá-lo só se te sentires bem ao fazâ-lo. Não o faças só porque depois o outro te vai cobrar. Diz não, e podes também acrescentar o que sentes, mas não precisas é de falar do outro. Fala apenas de ti. Auto-estima é falares de ti e dizer não quando sentes não. É provável que o outro te chame egoísta. Mas não és egoísta por dizeres o que sentes e por dizeres não ao que não queres fazer. Tens grande auto-estima. O ego detesta a auto-estima e, por isso, as pessoas identificadas com o ego estão sempre a chamar egoístas às que têm auto-estima" (1)

Luís Martins Simões



(1) SIMÕES, Luís Martins - És criador ou repetidor?: para jovens e adolescentes. Carcavelos: Angelorum Novalis, 2006. ISBN 989-607-048-2. pg. 73.

15.10.07

Deverei gostar de toda a gente?



(fotografia de Lisette Model, "Running Legs", 1940-41)

"Outro exemplo de vibração não genuína: ser bonzinho e gostar de todos.

Gostar de toda a gente não faz sentido!

(...)

Gostar não tem nada a ver com amar, observar ou aceitar. Gostar é uma emoção. Amar é aceitar o outro, mas não quer dizer que gostes dele." (1)

Luís Martins Simões

(1) SIMÕES, Luís Martins - És criador ou repetidor?: para jovens e adolescentes. Carcavelos: Angelorum Novalis, 2006. ISBN 989-607-048-2. pg. 73.


P.S. Engraçado. Quando li esta frase do Luís Martins Simões, veio-me à memória uma frase do filme Lulu on the Bridge, do Paul Auster. Gina Gershon afirmou sobre o marido, personagem de Harvey Keitel, "I love him, but I can't live with him". Poderia querer dizer: amo-te, mas não te consigo aturar, não gosto de ti!

12.10.07

François Couperin (L'Apothéose de Lulli)



(François Couperin, retirado da britannica.com)

Em 1724, o compositor francês François Couperin decidiu fazer uma pequena homenagem ao grande violinista e compositor italiano Arcangelo Corelli. O resultado foi a belíssima peça em cravo "Le Parnasse ou l'Apothéose de Corelli". Também no mesmo ano, publicou outra Apoteose, esta dedicada a M. de Lully.

Não está explícito, mas penso que este Lully terá sido o compositor italiano naturalizado francês, Jean-Baptiste Lully (ou Giambattista Lulli), compositor oficial de Luís XIV e o responsável pela fundação da Ópera Nacional de França.

No CD da Harmonia Mundi, L'Apothéose de Lulli, podem-se ouvir estas duas peças. Os cravistas de serviço são William Christie e Christophe Rousset.

Para ouvidos menos atentos, aqui vão alguns links interessantes:

uma versão em piano de "Soeur Monique", de Couperin. O pianista é Grigory Sokolov aqui.

William Christie, cravista e maestro, a dirigir Natalie Dessay na aria de Mozart, "O Zittre Nicht", aqui.

Christophe Rousset, cravista e maestro, a dirigir Paula Rasmussen na ária da ópera Xerxes de Haendel "Crude Furie" aqui.

Jorge Vicente

11.10.07

A filosofia e a poesia



(fotografia de Clarence John Laughlin, "Possessed by the past", 1939)

"A filosofia e a poesia que te ensinam são uma verdadeira seca. Em filosofia obrigam-te a decorar o que este e aquele disseram, puro exercício de masturbação mental, de repetição e todo orientado para o passado. Quanto à poesia, obrigam-te a dissecar a poesia, para saberem o que é uma cantiga disto, uma cantiga daquilo, uma poesia disto e daquilo. Uma seca monstruosa. Mais uma vez uma masturbação do passado, mental e repetitiva. A filosofia aprende-se filosofando e não respondendo a um professor o que é que pessoas que tu nunca viste disseram nos seus acessos de raciocínio mental. A poesia aprende-se soltando o controlo e deixando as emoções expressar-se. Não decorando quem compôs o quê, onde, nem em que circunstâncias." (1)

Luís Martins Simões




(1) SIMÕES, Luís Martins - És criador ou repetidor?: para jovens e adolescentes. Carcavelos: Angelorum Novalis, 2006. ISBN 989-607-048-2. pg. 49.

A lei do menor esforço



(fotografia de Jacques-Henri Lartigue, "Zissou", Rouzat, 1911)

"Não conheço pessoa que tivesse chegado a grande riqueza pelo esforço. Nunca foi, nem nunca será pelo esforço do trabalho, embora assim no-lo queiram impingir nas escolas. Foi pela capacidade de criar ideias novas." (1)

Luís Martins Simões



(1) SIMÕES, Luís Martins - És criador ou repetidor?: para jovens e adolescentes. Carcavelos: Angelorum Novalis, 2006. ISBN 989-607-048-2. pg. 42.

O Ensino (segundo Luís Martins Simões) Parte 3



(fotografia de Lewis Hine, "Playground in Mill Village", 1909)

"Pouco espaço deixa o nosso ensino ao estudo do ser e apenas se concentra na matéria. Se o ensino funcionasse, as crianças e os jovens desejariam ir para a escola todos os dias. Ora a experiência mais comum é a de os alunos procurarem ter dores de barriga ou de dentes ou qualquer outro subterfúgio para poder faltar à escola. E a maior motivação é, sem dúvida, a da convivência com os colegas, com os amigos e amigas." (1)

Luís Martins Simões


(1) SIMÕES, Luís Martins - És criador ou repetidor?: para jovens e adolescentes. Carcavelos: Angelorum Novalis, 2006. ISBN 989-607-048-2. pg. 42.

1408 (Mikael Hafstrom)



(imagem do filme de Mikael Hafstrom, 1408)

Eu não sei se Stephen King terá gostado do resultado final, mas que o filme 1408, da autoria de Mikael Hafstrom é estranho e surreal, é. Pelo menos, segundo os cânones da recente cinematografia norte-americana. Parece que o realizador aproveitou as ideias veiculadas por Vincenzo Natali e aproveitou-as para um filme um pouco mais mainstream, mas igualmente inteligente e surrealista.

Mas, seja como for, não recomendo visitarem o quarto. Ele é maléfico. E pode fazer-vos mal. Mas, se tiverem pipocas na mão e um pouco de tempo para ir ao cinema, podem-se divertir um bocado.

Jorge Vicente