Mostrar mensagens com a etiqueta Crítica de Filme. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Crítica de Filme. Mostrar todas as mensagens

18.7.11

mikael hafstrom, the rite (2011)



(imagem do filme the rite de mikael hafstrom)


Meus queridos amigos,



parece estranho estar a falar-vos de um tema tão incomum no meu blog, de um tema que não me passava pela cabeça sequer mencionar porque contrário ao meu caminho de paraíso. Parece estranho, mas aconteceu. O últime filme que eu vi, The Rite, abordava o tema da possessão demoníaca e levantava a seguinte questão: será que o Diabo existe? Será que as possessões demoníacas são reais ou serão apenas produto de uma imaginação criadora desvinculada da Vida? Será que são patologias? Este filme, baseado livremente num caso real, levanta essas questões e a resposta, pelo menos para quem vê é que o Diabo existe mesmo e as possessões demoníacas são bem reais. O livro sobre o qual é baseada a história narra o percurso de um padre americano, Gary Thomas, que aprende as artes do exorcismo e a verdadeira dimensão do Mal. Segundo alguns críticos, existem sérias diferenças entre filme e livro. A espectacularidade de um contrasta com a discrição de outro, embora ambos apresentam provas cabais de que algo está mal contado nas artes da psicologia. Não existem explicações psicológicas para certos fenómenos e para certas dimensões da espiritualidade que ainda [nos] são negadas.

Será que é o inconsciente colectivo a falar às pessoas, mudando-lhes mesmo a fisionomia corporal? Será que é algo mais antigo e ligado a um inconsciente ainda não revelado? Será que os demónios existem de facto? Eu tenho a minha teoria, mas essa não é muito abonatória da teologia católica, embora não seja de todo contrária à existência de entidades negativas que influam [ou possam influir] no destino dos homens. Se existem anjos [ou seres tendencialmente da luz] também existem seres tendencialmente das trevas. O que duvido é que sejam realmente demónios de tradição cristã pois tal seria um certificado de falsidade às outras religiões.

Penso que o espiritismo dá uma resposta mais verdadeira a esta questão. Alan Kardec não acreditava na presença do Demónio, mas sustentava a existência de seres incorpóreos negativos. Assim, pode ver-se neste excerto que:

"Satanás é, evidentemente, a personificação do mal sob forma alegórica, visto não se poder admitir que exista um ser mau destinado a lutar, de poder a poder, com a Divindade, tendo por única preocupação contrariar-lhe os desígnios. Como precisa de figuras e imagens que lhe impressionem a imginação, o homem pintou os seres incorpóreos sob uma forma material, com atributos que lembram as qualidades ou os defeitos humanos. É assim que os antigos, ao quererem personficar o tempo, pintaram-no com a figura de um velho munido de uma foice e de uma ampulheta. Representá-lo com a figura de um mancebo seria um conta-senso. O mesmo se verifica com as alegorias da fortuna ou da verdade, entre outras. Os modernos representaram os anjos, ou puros Espíritos, com uma figura radiosa, de asas brancas, emblema da pureza. Satanás, aparece com chifres, com garras e com os atributos da animalidade, emblema das paixões vis. O povo, que toma as coisas à letra, viu nesses emblemas individuades reais, como vira outrora Saturno na alegoria do Tempo." (1)

E quem vive incorporiamente utiliza todas as formas religiosas ou não para fazer sofrer quem acredita. Deixemos os espíritos de lado e meditemos na Vida

Entretanto, vejam o filme e Anthony Hopkins :)

Jorge Vicente

KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos. 2ªed. Mem Martins: Livros de Vida, 2005. ISBN 972-760-108-1. p. 96.



(trailer do filme the rite)

6.5.11

andrea dorfman, flawed (2009)



(imagem do filme flawed de andrea dorfman, retirado daqui)


Que pedaço de nós deveremos retirar para que o amor seja apenas amor?
Que história deveremos contar?
Que palavras poderemos acrescentar?

Será necessária uma revolução? Um poema? Um pequeno filme? Uma roda de embalo?

O que será necessário. Necessário.

Jorge Vicente

Vejam este filme. É magnífico. Aqui um excerto do filme.

25.1.11

anton corbijn, the american



(imagem do filme de anton corbijn, the american, retirada daqui)


porque é que a morte tem sempre de estar lado a lado com o amor?

ou com a presença de deus?

jorge vicente

15.10.09

valley of the dolls, mark robson



(imagem de valley of the dolls, retirado daqui)


muitos admiradores da sétima arte poderão não concordar comigo, mas eu considero o vale das bonecas (valley of the dolls, em inglês) um grande filme. não consegui perceber a razão porque o consideram um clássico do trash americano. definam-me trash. definam-me o que é um mau filme. definam-me o que é um filme pulp. provavelmente, ninguém vai conseguir explicar até porque agora, quando vemos os filmes saídos de hollywood, não conseguimos ter pontos de referência. valley of the dolls bateria qualquer um.

talvez o que irrita muitos dos críticos é o facto do filme ser uma seta direccionada para o meio fascinante, mas tremendamente cruel do show business norte-americano. as bonecas são o nome que as actrizes davam (dão?) às drogas (the «dolls», the «pills») e este filme é uma seta, embora dê uma visão quase estilística ao consumo de drogas: parecia quase uma coisa bonita, da moda. algo que poderia funcionar num filme saído dos estúdios, um mega-sucesso sensacionalista. isso irritaria os críticos até porque a vida de devassidão das estrelas não interessam a ninguém: é a antítese de boa arte e boa cultura. no entanto, valley of the dolls tem aquela coisa mágica que os bons filmes devem ter: carisma e personalidade, coisa que muitos dos filmes menores de al pacino e robert de niro nem sequer têm.

jorge vicente



(tema principal de "valley of the dolls", cantado por dionne warwick)

25.8.09

madagascar: escape 2 africa, de eric darnell e tom mcgrath



(wallpaper de madagascar: escape 2 africa)


é interessante: a grande maioria dos filmes de animação que vejo considero-os excelentes, o que não se passa com as outras produções de hollywood. talvez porque, no cinema de animação, estamos mais perto daquele estádio em que fomos felizes ou em que poderíamos ser felizes: o estádio da infância, o estádio em que somos mais pequenos, mais puros e, por isso, mais sujeitos ao enamoramento da vida. o cinema de animação faz-nos retornar, assim, a um período primário, original, visceral, um estado de infância da consciência. e, assim, todo o desenho animado é um retornar a essa fase.

no meu caso, esse retornar assume, muitas vezes, a forma do "scrat" da idade do gelo, do cão sábio gromit, do burro de shrek ou da intrepidez e alegria de viver de alex, o leão dançarino de madagascar: escape 2 africa. confesso: ainda não vi o primeiro, parti logo para o segundo e logo me tomei de amores pela paisagem do kilimanjaro, que aparece nos primeiros momentos do filme. mas mais não vou dizer a não ser que em áfrica os animais também dançam e fazem coreografias. ainda mais deslumbrantes que nós, adultos.

jorge vicente



(trailer de madagascar: escape 2 africa)

23.8.09

un chien andalou, luis buñuel e salvador dali



(imagem de un chien andalou de salvador dalí e luis buñuel)


quando chegou a paris em 1925, luis buñuel era um completo desconhecido. vindo de madrid, da universidade, onde tinha conhecido salvador dalí e federico garcia lorca, buñuel tinha decidido partir para paris, a capital cultural da europa, o palco de um dos movimentos artísticos mais inovadores do século xx: o surrealismo.

em 1926, iniciou-se no mundo da sétima arte trabalhando com o realizador jean epstein, assistindo-o na realização do filme mauprat. seguidamente, trabalhou com mario nalpas (la sirène des tropiques), novamente jean epstein (la chute de la maison usher) e... salvador dalí.

a primeira ida de salvador dalí para paris foi em 1926, altura em que conheceu pablo picasso, a quem reverenciava. no entanto, ainda não se tinha consagrado definitivamente no palco surrealista, o que viria a acontecer quando se uniu a buñuel para concretizar uma das obras cinematográficas mais geniais da história da sétima arte: un chien andalou. corria o ano de 1929.

não vou falar do filme, vou apenas partilhá-lo pois ele encontra-se online, à disposição de todos. tentem não o compreender até porque a arte surrealista não é uma arte da compreensão, mas sim da descoberta e da sensação. uma arte do subconsciente e da matéria com que são feitos os sonhos.

jorge vicente



16.8.09

death proof, quentin tarantino



(imagem de death proof de quentin tarantino)


não me importa que vocês detestem o filme (ou o adorem), mas o quentin tarantino é um dos melhores realizadores norte-americanos contemporâneos. tem um sentido imaginativo muito forte, cada filme dele é uma sentida homenagem aos filmes do passado como que recriando-os, reimaginando-os, fazendo de novo e de forma original. ou seja, um estilo muito próprio que foi (tem sido) imitado um pouco por todo o lado.

neste filme (death proof), tarantino recria as sessões de grindhouse, que eram sessões-duplas de filmes de série b, normalmente muito maus e de orçamento limitadíssimo. no projecto de tarantino grindhouse, foi também exibido o filme planet terror, de robert rodriguez. A música disco dos anos 70, os mesmos décors, aquelas pequenas paragens que muitos filmes de série b tinham, as personagens femininas, eróticas e sempre vítimas de um assassino predador. todos estas características foram muito bem exploradas por tarantino e o filme nunca será bem apreciado se não tivermos em consideração este pequeno pormenor: death proof é uma homenagem, é uma reapropriação, é um fazer de novo. é, enfim, a magia do cinema que se recria constantemente.

jorge vicente



(trailer de death proof, de quentin tarantino)

29.4.09

monsters vs. aliens, de rob letterman e conrad vernon



(cena de monsters vs. aliens. uma das melhores do filme, quando B.O.B. se apaixona por uma gelatina)


monsters vs. aliens não foi nem será, certamente, o melhor filme de animação feito pela dreamworks. muito pelo contrário, está uns furos abaixo de shrek e da idade do gelo. mas, que importa? é divertido e, pelo menos, vê-se são francisco numa outra perspectiva.

jorge vicente



(incrível como o extra-terrestre me faz lembrar o ET de marte ataca).

17.4.09

joão botelho, a corte do norte



(ana moreira numa cena d'a corte do norte)


talvez um dos maiores pecados do cinema português seja refugiar-se no velho cinema de autor, intelectual, artístico, com uma bela fotografia, mas sem personagens que nos cativem, sem aquele toque humano que caracterizou o magnífico trabalho de bruno de almeida, the lovebirds. talvez seja isso ou talvez seja apenas birra do público que teima em dizer mal do cinema português apenas porque não o percebe ou não faz por perceber. todos os argumentos são válidos e todos são falaciosos, depende do ponto de vista de cada um.

quanto a mim, o maior pecado d'a corte do norte resume-se a uma só palavra: teatro. muito do cinema de autor português (e aqui incluo, obviamente, manoel de oliveira) é demasiado teatral, com falas retiradas de excertos de livros, poemas, frases que pouca gente usa no dia-a-dia, a rejeição do falar comum, quotidiano. (excepção: a caixa) claro que isso não tem mal nenhum, mas retira um pouco da emoção ao filme, transforma-o numa obra literária e não num filme propriamente dito. contudo, não deixa de ser um filme interessante: agustina bessa-luís é uma excelente construtora de palavras, uma poetisa; a madeira é um sítio magnífico e ana moreira tem um dos olhares mais fortes do cinema português. contudo, neste filme não prende como prendeu em transe, de teresa villaverde. é o que eu digo: olhar, emoção, personagens de carne e osso a entoar pele em todos os poros.

jorge vicente



(trailer d'a corte do norte)

4.4.09

ben charles edwards, the town that boars me

uma grande surpresa, confesso. estava a pesquisar a biografia de sophie ellis bextor, uma cantora de dance pop do reino unido quando li que esta participou, no ano passado, numa curta metragem do fotógrafo ben charles edwards. pesquisei o filme, convencido de que não o ia encontrar, mesmo no youtube. felizmente, encontrei-o e foi uma agradável surpresa, se bem que o filme não seja o filme ideal para todas as pessoas: amantes de cinema mainstream, hollywoodesco, de pipocas última geração, guardai-vos:

este filme é um musical surrealista na linha do mítico (ou não) rocky horror picture show: kitsch, divertido, ousado, com óbvias referências à cultura pop. a ver.

The Town That Boars Me


jorge vicente

1.4.09

kung fu panda, de mark osborne e john stevenson



(imagem do filme kung fu panda, de mark osborne e john stevenson)


e se, do alto dos céus, caísse um animal gigante que vos fizesse repensar o modo como praticam artes marciais? como reagiriam?

jorge vicente

16.2.09

isn't she great, andrew bergman



(imagem de isn't she great)


jacqueline susann tinha um sonho: ser famosa. durante grande parte da sua vida, esse desejo concretizou-se através da arte da representação: participou em algumas peças de teatro e anúncios publicitários e teve pequenos papéis em filmes. no entanto, foi só após o casamento com irving mansfield, um agente publicitário, que o nome de jacqueline susann começou a ser falado. mansfield tinha um olho para o marketing e, através de pequenos golpes publicitários, construiu a imagem de susann (a sua cara aparecia nos jornais e começou a ser presença regular no morey amesterdam show).

e, a partir daí, a carreira de susann foi ganhando forma, foi-se construindo até se transformar numa pequena celebridade, estatuto que conseguiu quando publicou o seu segundo romance, valley of the dolls, um romance que narrava de forma brutal e chocante o universo de hollywood e da broadway. o livro foi rejeitado por quase todas as editoras e apelidado de pornográfico e chocante. no entanto, permanece como um dos livros mais vendidos de toda a história da literatura.

o filme de andrew bergman, isn't she great, tenta fazer uma biografia de susann, mas o que apresenta é tão contrário à realidade que temos dificuldade em gostar do filme. e, no entanto, bette midler é irrepreensível e representa a frivolidade de toda uma indústria no seu esplendor.

jorge vicente



(trailer de isn't she great)