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3.9.11

peter joseph, zeitgeist: moving forward (2011)



(imagem retirada daqui)


A primeira vez que ouvi falar do filme Zeitgeist foi através da escritora norte-americana D.M.Murdock. Murdock é a autora, entre outros, dos livros The Christ Conspiracy e Who Was Jesus: Fingerprints of the Christ. Foi a obra dela que serviu de referência para a primeira parte do original Zeitgeist, em que se punha em questão toda a estrutura religiosa do Cristianismo chegando mesmo a ser questionada a autencidade da existência de Cristo. Por outro lado, duvidava-se da veracidade do 11 de Setembro e lançava-se a hipótese de que o real causador da catástrofe foi George W. Bush. Na altura, tudo me parecia uma enorma bolha de conspiração própria de quem questiona tudo apenas pelo gozo de questionar, considerando todas as maleitas do mundo como uma conspiração dos poderosos. Atenção que não duvido de que George W. Bush foi um dos responsáveis indirectos [até pela ligação de anos à família de Osama Bin Laden] mas daí até organizar um ataque terrorista contra o seu próprio país vai uma grande diferença.

O filme Zeitgeist: Moving Forward é um pouco diferente: mais sóbrio, é uma reflexão profunda sobre a economia e sobre a saturação do modelo económico ocidental, baseado que está num sistema monetário gasto e pouco sustentável. Provavelmente, para muitos, será uma crítica sem pés na cabeça e baseada num modelo económico utópico e irrealista: a economia baseada nos recursos, desenvolvida nos anos 70 por Jacque Fresco. Mas a verdade é que um projecto só é utópico quando está na mente de alguém e não é transmitido para as pessoas. Muitas das nossas conquistas do presente foram utopias do passado até que alguém se lembrou de perguntar: será possível?

É.

Jorge Vicente

Link para o filme zeitgeist: moving forward: aqui

23.8.11

tad lumpkin e harold uhl, the american dream (2010)



(the american dream)


Conheci este filme através do músico norte-irlandês Dan Mulligan. É um filme de animação sobre o poder excessivo e insidioso dos bancos e sobre a sua influência na maior economia do mundo: a norte-americana. É um olhar bastante crítico e libertário da economia e reflecte um sentido de liberdade que é bastante característico do povo norte-americano.

Jorge Vicente

Link para o vídeo: aqui.

18.7.11

mikael hafstrom, the rite (2011)



(imagem do filme the rite de mikael hafstrom)


Meus queridos amigos,



parece estranho estar a falar-vos de um tema tão incomum no meu blog, de um tema que não me passava pela cabeça sequer mencionar porque contrário ao meu caminho de paraíso. Parece estranho, mas aconteceu. O últime filme que eu vi, The Rite, abordava o tema da possessão demoníaca e levantava a seguinte questão: será que o Diabo existe? Será que as possessões demoníacas são reais ou serão apenas produto de uma imaginação criadora desvinculada da Vida? Será que são patologias? Este filme, baseado livremente num caso real, levanta essas questões e a resposta, pelo menos para quem vê é que o Diabo existe mesmo e as possessões demoníacas são bem reais. O livro sobre o qual é baseada a história narra o percurso de um padre americano, Gary Thomas, que aprende as artes do exorcismo e a verdadeira dimensão do Mal. Segundo alguns críticos, existem sérias diferenças entre filme e livro. A espectacularidade de um contrasta com a discrição de outro, embora ambos apresentam provas cabais de que algo está mal contado nas artes da psicologia. Não existem explicações psicológicas para certos fenómenos e para certas dimensões da espiritualidade que ainda [nos] são negadas.

Será que é o inconsciente colectivo a falar às pessoas, mudando-lhes mesmo a fisionomia corporal? Será que é algo mais antigo e ligado a um inconsciente ainda não revelado? Será que os demónios existem de facto? Eu tenho a minha teoria, mas essa não é muito abonatória da teologia católica, embora não seja de todo contrária à existência de entidades negativas que influam [ou possam influir] no destino dos homens. Se existem anjos [ou seres tendencialmente da luz] também existem seres tendencialmente das trevas. O que duvido é que sejam realmente demónios de tradição cristã pois tal seria um certificado de falsidade às outras religiões.

Penso que o espiritismo dá uma resposta mais verdadeira a esta questão. Alan Kardec não acreditava na presença do Demónio, mas sustentava a existência de seres incorpóreos negativos. Assim, pode ver-se neste excerto que:

"Satanás é, evidentemente, a personificação do mal sob forma alegórica, visto não se poder admitir que exista um ser mau destinado a lutar, de poder a poder, com a Divindade, tendo por única preocupação contrariar-lhe os desígnios. Como precisa de figuras e imagens que lhe impressionem a imginação, o homem pintou os seres incorpóreos sob uma forma material, com atributos que lembram as qualidades ou os defeitos humanos. É assim que os antigos, ao quererem personficar o tempo, pintaram-no com a figura de um velho munido de uma foice e de uma ampulheta. Representá-lo com a figura de um mancebo seria um conta-senso. O mesmo se verifica com as alegorias da fortuna ou da verdade, entre outras. Os modernos representaram os anjos, ou puros Espíritos, com uma figura radiosa, de asas brancas, emblema da pureza. Satanás, aparece com chifres, com garras e com os atributos da animalidade, emblema das paixões vis. O povo, que toma as coisas à letra, viu nesses emblemas individuades reais, como vira outrora Saturno na alegoria do Tempo." (1)

E quem vive incorporiamente utiliza todas as formas religiosas ou não para fazer sofrer quem acredita. Deixemos os espíritos de lado e meditemos na Vida

Entretanto, vejam o filme e Anthony Hopkins :)

Jorge Vicente

KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos. 2ªed. Mem Martins: Livros de Vida, 2005. ISBN 972-760-108-1. p. 96.



(trailer do filme the rite)

17.6.11

drake doremus, spooner (2009)



(retirado daqui)


Aquilo que o cinema independente norte-americano realmente traz de novo é a realidade. A realidade das relações humanas, a realidade das pessoas, a realidade das situações, a realidade de um cinema que não pretende abrir mão da capacidade infinita de contar histórias humanas e vivas.

Spooner, de Drake Doremus, é um desses exemplos. Para a maioria das pessoas, poderia tratar-se de mais um filme sobre o crescimento, sobre o desejo de sermos mais do que somos, sobre o nascimento do amor, sobre o ser criança sem o ser. Poderia ser mais um filme sobre todos esses temas. Mas o cinema independente tem uma energia tão grande e uma entrega tão preciosa ao amor de fazer cinema que consegue transmutar todos os temas e criar algo precioso, afectivo e único.

Jorge Vicente



(trailer de spooner, retirado daqui)

6.3.11

doug liman, fair game (2010)



(capa de fair game, retirada daqui)


Da filmografia completa de Doug Liman, só conhecia Identidade Desconhecida, o filme que trouxe a personagem de Jason Bourne para as capas das revistas de cinema. Nada de muito abonatório, portanto. Cinema de acção, hollywoodesco, daqueles que facturam milhões e milhões de dólares. No entanto, Doug Liman começou, como muitos outros, no cinema independente.

Jogo Limpo (no original Fair Game) não foge à regra. Continua a ser um filme mainstream, vindo da fábrica dos sonhos mas tem a vantagem de ter grandes actores e de ter uma história por detrás que merece a pena ser vista: a história de Valerie Plame, ex-operacional da CIA que descobriu a falcatrua da Administração Bush acerca da invasão do Iraque e que, devido a isso, viu a sua carreira e vida pessoal destruídas. Numa altura em que a Administração Obama está em perigo, importa relembrar a anterior administração e tentar não apagar a memória. Todos os meios sejam eles políticos, literários ou cinematográficos são meios úteis e necessários para que possamos transmitir às gerações mais novas o que realmente aconteceu. Claro que este filme pretende rentabilizar uma história verídica, torná-la vendável ao grande público, mas cinema político faz falta. E se for em defesa da verdade, ainda melhor.

Jorge Vicente

25.1.11

anton corbijn, the american



(imagem do filme de anton corbijn, the american, retirada daqui)


porque é que a morte tem sempre de estar lado a lado com o amor?

ou com a presença de deus?

jorge vicente

6.1.11

ryan murphy, eat pray love (2010)



(imagem do filme eat pray love , de ryan murphy)


fui ver este filme com amigos meus. no final, só me apetecia comer spaghetti, ir a bali e, claro, evoluir espiritualmente. Mas, de preferência, com alguém que saiba viver.

jorge vicente

23.12.10

robert greenwald, steal this movie (2000)



(capa do filme steal this movie, retirada daqui.


O filme de Robert Greenwald, Steal this movie, conta a história do activista político norte-americano Abbie Hoffman, um dos mais importantes activistas da moderna História dos Estados Unidos e o fundador do movimento contracultural Yippie (abreviatura de Youth International Party). É um filme muito interessante, luminoso, revolucionário e tem excelentes interpretações de Vincent d'Onofrio e da maravilhosa Janeane Garofalo.

De seguida, o início do filme:

13.9.10

alan schneider, film (1965)

e qual é o nosso olhar
perante a arte e perante
nós mesmos?

jorge vicente





(film, realizado por alan schneider e com argumento de samuel beckett)

24.7.10

edwin s. porter, the great train robbery (1903)

no ano em que geronimo estaria, sensivelmente, com 73 anos, foi filmado este filme. the great train robbery constitui um dos filmes mais históricos da história do cinema: foi um dos primeiros westerns, foi um dos primeiros filmes a utilizarem de modo eficaz o movimento da câmara, foi um dos filmes mais rentáveis daquele período inicial.

tudo razões para a sua visualização [hoje].

jorge vicente



(o filme the great train robbery, de edwin s. porter)

22.7.10

danse macabre (1922) de dudley murphy

a dança de camille saint-saens



(danse macabre, de dudley murphy)

4.7.10

o activismo político dos anos 60 e 70 apenas criou desumanidade: brink of disaster! (1972) de john florea







(filme brink of disaster! de john florea)

activismo político
sexo livre
falta de decência
falta de moral
falta de valores
o drama do comunismo
o perigo de uma seita como a dos hippies

tudo malefícios de uma sociedade tão má como a nossa que tende a destruir os valores milenares da tradição... baaaaah! poupem-me! é por essas e por outras que apolo é rei e senhor dos donos do mundo. viva dioniso!!!

jorge vicente

20.4.10

hans richter, dreams that money can buy (1947)

e as imagens surgem
como espirais abrindo-se
e abrindo-se ainda mais.



(excerto de dreams that money can buy, de hans richter. este excerto baseia-se em ideias de marcel duchamp)



(na minha opinião, é o melhor excerto do filme. é baseado em ideias de alexander calder)

4.2.09

made, jon favreau



(imagem de made, de jon favreau)


por vezes, sabe bem ver um filme que não nos obrigue a pensar, e pensar já é uma actividade que nos obriga a tanto, a conversar com o nosso patrão, a decidir se vamos por aqui ou por ali, a decidir sobre se haveremos de tomar café ou um chá quente, a decidir sobre dormir ou estar acordado.

este filme não é tanto isso, não é tanto um filme de deitar e jogar fora, é mais um pequeno filme, honesto, simples, despretencioso, mas também sem aquele poder de pele que o grande cinema alternativo norte-americano tem. narra a história de dois amigos que vão fazer um trabalho para um mafioso local, interpretado por peter falk. o grande peter falk. recebem uma certa quantidade de dinheiro que os vai possibilitar cumprir as suas missões. tudo o que têm de fazer é estar atentos, cumprir a sua parte e regressar ao pequeno mundo de onde saíram, embora mais ricos.. tudo corre mal, como era suposto acontecer num filme, e as peripécias vão se acumulando.

o que gostei: jon favreau. honesto, bom actor, compõe uma personagem que poderíamos conhecer da rua. peter falk: mas ele dispensa apresentações, não é? ou não fosse ele um dos anjos de wim wenders... lembram-se?

jorge vicente



(entrevista a jon favreau)

17.1.09

catherine hardwicke, twilight



(imagem de twilight)


ahhh, este filme é tão gótico!!..., mas numa perspectiva adolescente com borbulhas, claro!

salva-se a rapariga, que é muito bonita, e a própria realização, que me pareceu melhor do que aquilo que estava à espera. mas quem me mandou espreitar os filmes dos góticos mais imberbes da nova geração?

Jorge Vicente

26.12.08

edward burns, sidewalks of new york



(rosario dawson e edward burns, sidewalks of new york)

um óptimo filme acerca da sexualidade nos dias de hoje: sidewalks of new york, realizado por edward burns, jovem actor e realizador nova-iorquino. foi o filme que vi ontem. e gostei bastante.

as histórias do filme são muito simples: griffin, um dentista e polígamo inveterado, tem uma amante há 6 meses; annie, a sua mulher, pensa que ele lhe é fiel e acredita piamente na importância da fidelidade e do casamento cristão, mesmo que esse modelo de casamento e a tal "fidelidade" esteja em crise; maria é uma professora, ex-divorciada; tommy é um produtor de televisão cujo relacionamento acabou e que, após a separação, tem um affair com a professora; ben é porteiro de um hotel, ex-marido de maria e que se apaixona por ashley, a amante de griffin. no fundo, é um mosaico de situações e de compromissos, uma teia de emoções como tantas vezes encontramos no dia-a-dia. em alguns aspectos, faz lembrar woody allen (e que filmes sobre relacionamentos em manhattan não o fazem?) e, talvez, a série ultra-famosa sex and the city. foi, aliás, a revista glamour que indicou: "sex and the city with a grittier edge" o que é bom já que estamos a precisar de mais filmes realistas sobre relacionamentos e emoções. de todas as personagens, aquelas que mais me marcaram foi maria, numa excelente interpretação de rosario dawson, frágil, humana e tremendamente urbana e ashley, num registo também ele frágil e realista. no fundo, pessoas que podiam ser qualquer um de nós e não jovens coquettes de hollywood.

ah, e tem também a belíssima heather graham a fazer de annie...



jorge vicente