1.8.12

o animal se revelou humano





(desenho de lucian freud, "after chardin" (2000)



"O animal comovido descobriu a vida e isto o fez espírito.



No instante em que a sensorialidade, por caminhos desconhecidos em seus aspectos mais íntimos, se desdobrou em sensibilidade, o animal se revelou humano, se presentificou como SER-NO-MUNDO-E-DO-MUNDO." (1)



cezar wagner de lima góis





(1) GÓIS, Cezar Wagner de Lima - Biodança: identidade e vivência. Fortaleza: Edições Instituto Paulo Freire do Ceará, 2002. p. 65.

23.7.12

"won't get fooled again" (pete townsend)



(pintura de roy lichtenstein, "i love liberty" , 1982)


"We'll be fighting in the streets
With our children at our feet
And the morals that they worship will be gone
And the men who spurred us on
Sit in judgment of all wrong
They decide and the shotgun sings the song

I'll tip my hat to the new constitution
Take a bow for the new revolution
Smile and grin for the changes all around
Pick up my guitar and play just like yesterday
Then I'll get on my knees and pray
We won't be fooled again

The change, it had to come
We knew it all along
We were liberated from the fold, that's all
And the world looks just the same
History just ain't changed 'cause the banners
They're all flown in this next war

And I'll tip my hat to the new constitution
Take a bow for the new revolution
Smile and grin for the changes all around
Pick up my guitar and play just like yesterday
Then I'll get on my knees and pray, hey
We don't get fooled again

I'll move myself and my family aside
If we just happen to be left half alive
I'll get my papers and I smile at the sky
Though I know that the hypnotized never lie

There's nothing in the street
That looks any different to me
And the slogans are replaced by the by
And the parting on the left
Is now the parting on the right
And the beards have all grown longer overnight

And I'll tip my hat to the new constitution
Take a bow for the new revolution
Smile and grin at the changes all around
Pick up my guitar and play just like yesterday
Then I'll get on my knees and pray
We don't get fooled again, oh no

Meet the new boss
Same as the old boss
Meet the new boss
Same as the old boss
Same as the old boss" (1)

richie havens


(1) retirado do disco nobody left to crown (2008)

16.7.12

Reintegração


(imagem retirada daqui: http://davidmyatt.files.wordpress.com/2010/02/stars.jpg)



Falar do amor na sua fase reintegrativa é falar do seu mapa geral, é falar da sua dimensão numinosa, na sua dimensão de super-consciência, de estar aqui e agora em toda a dimensão intuitiva e verdadeira. É saber aceitar que existem dois pólos e que ambos fazem parte da mesma dança viva, da mesma realidade, que não existe contradição entre o claro e o escuro, entre a sombra e a claridade, entre o homem e a mulher.

Quando se vive nessa dimensão numinosa (ou de Presença total), o amor torna-se uma força poderosíssima porque imune a todos os condicionalismos, mas aberto e flexível a tudo o que venha a acontecer.

Se, por um lado, o reino do Encantamento ainda se faz presente é-o na sua dimensão de encantamento de vida, não um encantamento fugaz, de estar aqui, mas em pouco tempo fugir de nossas mãos como se nunca a tivéssemos sentido.

Se, por outro lado, o Desencanto aparece é porque a nossa realidade corporal assim o exige: somos humanos e a nossa experiência humana pede que sejamos sempre cada vez nós mesmos; pede que nos consciencializemos da dor do outro e a façamos nossa, numa dança de empatia e solidariedade humana. Sem esse desencanto pelo humano não se conseguir realizar a 100%, a sociedade humano nunca se modificaria porque tudo estaria perfeito e nunca haveria nada porque lutar.

Nesta fase, o Reino da Esperança faz-se também muito potente. Somos os construtores de um mundo novo, vivo, orgânico, orgásmico, dançarino, feliz. Somos os fazedores de uma Vida que quer Ser ainda mais e quer amar ainda mais, sem condicionalismos e sempre com verdade.

E o Questionamento surge também: o que posso mudar, que mudanças posso trazer para o mundo? Que Vida poderei dar para poder ter mais consciência deste poder imenso que é o amor? Deste imenso poder que é dançar a Criação de forma continuada e vivencial. Criamos sempre, criamos e refundimos, criamos e consciencializamos, criamos e vivenciamos o nosso amor de uma forma reintegrada e com todas as suas dimensões de existência em pulsão.

É assim a dança da vida, é assim a dança absoluta do nosso Ser total, do nosso Corpo total, do nosso Amor em expansão.

Que sejamos sempre tudo isso. E ainda mais.

Jorge Vicente

Este post pertence à 5ª  e última fase, BC Amor aos Pedaços. Mais informações no blog da Rute, da Rô ou da Luma.)

8.7.12

Paulo Freire


 (Paulo Freire)

Terminei este fim-de-semana sem saber, exactamente, o que colocar no meu blog que possa fazer justiça à proposta de, todos os dias de cada mês,  publicarmos na nossa página algo relacionado com o meio ambiente. Pensei em muitos temas: evolução humana, agricultura biológica, permacultura, biodanza, etc. No entanto, só me veio à cabeça a palavra Educação e o nome de um dos mais importantes pedagogos que o século XX criou: Paulo Freire. Paulo Freire era um homem de esquerda e criou um dos sistemas de ensino mais interessantes que conheço: o Método Paulo Freire que, anos mais tarde, foi uma das maiores influências para a Educação Biocêntrica, de que já falei aqui.

Não me vou alongar muito na explicação do Método. Remeto a explicação para os vídeos seguintes:

O primeiro é uma "explicação" superficial do Método e como ele se repercutiu nas comunidades em que foi adoptado:

http://www.youtube.com/watch?v=YbrHsTv4QA0

O segundo vídeo utiliza a palavra geradora "barraco" e apresenta mais uma implementação do Método. As palavras geradoras são palavras que o Método Paulo Freire utiliza para a alfabetização e são escolhidas de acordo com as comunidades em que o Método se aplica. As palavras geradoras variam de comunidade para comunidade e são escolhidas sempre tendo em conta a realidade e as vivências de cada comunidade.

http://www.youtube.com/watch?v=3Yl-oNMVko8

O terceiro vídeo apresenta uma reflexão de Paulo Freire sobre o acto de "ler o mundo"

http://www.youtube.com/watch?v=CN_gKPWyGVA&feature=related

O quarto é um vídeo que costumo ver regularmente. Apresenta trechos de uma das últimas entrevistas a Freire.

http://www.youtube.com/watch?v=60c1RapBN7U&feature=related

 Espero que gostem! :)))

Jorge Vicente


Como todos sabem, este post está inserido na iniciativa Teia Ambiental, idealizadas por Flora Maria e Gilberto da Cunha Gonçalves. O blog da Flora: http://floradaserra.blogspot.com/

21.6.12

trecho do discurso de posse do Presidente Nelson Mandela, África do Sul, em 1994



(pintura de nelson mandela, "hand of africa", 2003)


"Não é confrontar a nossa mediocridade ou a nossa insuficiência o que mais tememos. Pelo contrário, nosso temor mais profundo é medir toda a extensão de nosso poder.

É nossa luz que nos dá medo e não nossa escuridão.

Nos perguntamos: Quem sou eu para mostrar-me tão hábil, tão cheio de talento e tão brilhante? E quem seríamos então para não nos mostrarmos assim? Somos filhos de Deus.

Não servimos ao mundo, fazendo-nos mais pequenos do que somos. Não há nenhum mérito em diminuir-se a si mesmo para que outros se sintam seguros.

Estamos aqui para brilhar como todo o nosso esplendor, como o fazem as crianças.

Temos nascido para manifestar a pleno dia a glória de Deus que está em nós. E esta glória não reside unicamente em alguns de nós, senão em todos e em cada um.

Quando deixamos que nossa própria luz resplandeça, sem o saber, damos permissão aos demais para fazer o mesmo.

Quando nos libertamos do nosso próprio medo, nossa presença liberta automaticamente aos demais." (1)

Nelson Mandela




(1) MANDELA, Nelson apud GÓIS, Cezar Wagner de Lima - Biodança: identidade e vivência. Fortaleza: Edições Instituto Paulo Freire do Ceará, 2002. p. 48.

15.6.12

Questionamento...



Questionar é reflectir sobre, encontrar modos alternativos de encarar um problema determinado seja esse problema relacionado com o amor, o trabalho, as nossas dificuldades financeiras, o nosso posicionamento em relação ao mundo e em relação a nós mesmos. É uma excelente oportunidade para largarmos, deixarmos fluir no oceano do Vivo tudo aquilo que não nos interessa ou, também, solidificarmos mais ainda aquilo em que acreditamos.

Questionar é aprender e uma nova oportunidade que a vida nos dá em repensarmos tudo o que já foi conquistado. Encontrarmos novas armas para enfrentar um determinado problema. Indagar esse mesmo problema e perguntar-lhe: o que fazes aqui? O que tens para me ensinar? Ou para não me ensinar?

Dizem que, em matéria de amor ou de paixão, tudo deve ser questionado. Permanentemente. O próprio olhar no olho é um questionamento diário e uma oportunidade básica para repensarmos a nossa humanidade permenantemente. Descobrirmos o porquê de estarmos aqui e agora com esta mesma pessoa. E isto apesar do porquê, no próprio acto de olhar olhos nos olhos, não ser absolutamente necessário. Necessária é a vivência de estar aqui e agora, sem perguntas, sem interpretações - as respostas aparecem de repente, como um insight poético. E o questionamento e a resposta a esse questionamento faz-se sentido do corpo, faz-se certeza, faz-se no instante.

E quando digo que esse questionamento se faz em relação ao amor, também se faz em relação às nossas paixões: escutemos o que as nossas paixões têm para nos dizer, olhemos-nas de frente e indaguemos. Sentirei sempre o que sinto e da mesma maneira? Aceitarei sentir de forma diferente? Estará certo sentir de forma diferente? O certo de hoje será o errado de amanhã? Onde ficarão as nossas certezas e as nossas dúvidas?

A resposta sempre virá. Absolutamente. Nós é que, provavelmente, não conseguimos percebê-la. Ou serão várias respostas, consoante a nossa condição e o nosso momento existencial.

Jorge Vicente

P.S. Este post pertence à 4ªfase, BC Amor aos Pedaços. Mais informações no blog da Rute, da Rô ou da Luma.)

8.6.12

o mover-se sensível



(desenho de william conor, "the children", s/d)


"Não foi qualquer acção que fez o ser humano, foi principalmente a acção sensível, o mover-se sensível, uma acção mais complexa e sutil tecida na rede neuropsíquica em formação. O animal podia agarrar qualquer objeto, como de fato o fazia, mas para «comover-se» com o ato de agarrar, movimentar ou balançá-lo de outro modo, foi necessária a emergência de uma sensação qualitativamente diferente das anteriores no momento da realização deste ato. Daí surgiu o ser capaz de olhar a montanha e sentir mudar sua respiração; ver e sentir silenciosamente o vôo do pássaro ou a água cristalina seguindo seu percurso de riacho, ora tranquila, ora rápida." (1)

cézar wagner de lima góis



(1) GÓIS, Cezar Wagner de Lima - Biodança: identidade e vivência. Fortaleza: Edições Instituto Paulo Freire do Ceará, 2002. p. 67.

Estas duas últimas três semanas têm sido muito complicadas a nível laboral: muito trabalho, muito empenho, falta de tempo. Por isso, mando hoje um texto tão pequeno, mas tão importante! Um texto que destrona um pouco a ideia de que o ser humano tornou-se humano quando começou a pensar, quando o cérebro se desenvolveu. Para Cezar Wagner, não foi isso que transformou o humano em humano, mas sim o mover-se com afectividade, o chorar com sensibilidade, o admirar-se pela Paisagem e pelas maravilhas da Vida e da Terra.

 Como todos sabem, ste post está inserido na iniciativa Teia Ambiental, idealizadas por Flora Maria e Gilberto da Cunha Gonçalves. O blog da Flora: http://floradaserra.blogspot.com/

Muitos abraços para todos
Jorge Vicente