joão botelho, a corte do norte

(ana moreira numa cena d'a corte do norte)
talvez um dos maiores pecados do cinema português seja refugiar-se no velho cinema de autor, intelectual, artístico, com uma bela fotografia, mas sem personagens que nos cativem, sem aquele toque humano que caracterizou o magnífico trabalho de bruno de almeida, the lovebirds. talvez seja isso ou talvez seja apenas birra do público que teima em dizer mal do cinema português apenas porque não o percebe ou não faz por perceber. todos os argumentos são válidos e todos são falaciosos, depende do ponto de vista de cada um.
quanto a mim, o maior pecado d'a corte do norte resume-se a uma só palavra: teatro. muito do cinema de autor português (e aqui incluo, obviamente, manoel de oliveira) é demasiado teatral, com falas retiradas de excertos de livros, poemas, frases que pouca gente usa no dia-a-dia, a rejeição do falar comum, quotidiano. (excepção: a caixa) claro que isso não tem mal nenhum, mas retira um pouco da emoção ao filme, transforma-o numa obra literária e não num filme propriamente dito. contudo, não deixa de ser um filme interessante: agustina bessa-luís é uma excelente construtora de palavras, uma poetisa; a madeira é um sítio magnífico e ana moreira tem um dos olhares mais fortes do cinema português. contudo, neste filme não prende como prendeu em transe, de teresa villaverde. é o que eu digo: olhar, emoção, personagens de carne e osso a entoar pele em todos os poros.
jorge vicente
(trailer d'a corte do norte)





