9.3.09

what is death and what is life



(fotografia de elliott erwitt, "california", 1955)


"Devemos entender que as pessoas não estão a viver ou a morrer, mas sim vivas ou mortas. Rotule-se alguém como terminal e é tratado como morto. Isso está errado; se estiver vivo pode continuar a participar amando, rindo e vivendo. Antes de aceitar a decisão de morrer de um tetraplégico faria com que tivesse um mês de aulas de arte com outro tetraplégico que faz quadros inacreditavelmente belos segurando o pincel com a boca" (1)

bernie s. siegel


(1) SIEGEL, Bernie S. - Amor, medicina e milagres. 1ª ed. Lisboa: Sinais de Fogo, 2004. ISBN 972-8541-47-3. pg. 288, 289.

8.3.09

guillaume apollinaire



(fotografia de michael light, "first american spacewalk, gemini 4", s/d)


"Venham até à berma.
Não, vamos cair.

Venham até à berma.
Não, vamos cair.

Eles foram até à berma.
Ele empurrou-os e eles voaram." (1)

guillaume apollinaire



(1) APOLLINAIRE, Guillaume apud SIEGEL, Bernie S. - Amor, medicina e milagres. 1ª ed. Lisboa: Sinais de Fogo, 2004. ISBN 972-8541-47-3. pg. 283.

6.3.09

amar ou gostar de



(fotografia de bruce davidson, "untitled, (hampton, VA, 1962) from a time of change",1961-1965)


"Perdão não significa ignorar o que foi feito ou pôr uma etiqueta falsa num acto de malvadez. Significa, pelo contrário, que o acto de malvadez deixa de permanecer uma barreira à relação... Devemos reconhecer que a má acção do vizinho inimigo, a coisa que fere, nunca exprime totalmente aquilo que ele é. Podemos encontrar um elemento de bondade mesmo no nosso pior inimigo.

O significado do amor não deve ser confundido com uma efusão sentimental qualquer. O amor é algo muito mais profundo que a tolice emocional. Agora podemos ver o que Jesus queria dizer quando disse: «Amai os vossos inimigos». Devíamos estar satisfeitos por ele não ter dito: «Gostai dos vossos inimigos?». É quase impossível gostar de algumas pessoas. «Gostar» é uma palavra sentimental e afectuosa. Como podemos ser afectuosos com alguém cujo objectivo confesso é esmagar o nosso ser e colocar inúmeros obstáculos no nosso caminho? Como podemos gostar de uma pessoa que ameaça os nossos filhos ou bombardeia as nossas casas? Isso é impossível. Mas Jesus reconhece que amar é maior que gostar. Quando Jesus nos exorta a amarmos os nossos inimigos, fala de compreensão e boa vontade criativa e redentora entre todos os homens. Só seguindo esse caminho e respondendo com este tipo de amor poderemos ser filhos do Pai-nosso que está no céu. O verdadeiro teste não é se somos capazes de ser crucificados para salvar a humanidade mas se conseguimos viver com alguém que ressona." (1)

martin luther king jr.



(1) KING, Martin Luther, Jr. apud SIEGEL, Bernie S. - Amor, medicina e milagres. 1ª ed. Lisboa: Sinais de Fogo, 2004. ISBN 972-8541-47-3. pg. 273, 274.


antes:



agora:

5.3.09

a noite abrir-nos-à



(pintura de francisco de goya, "witches in the air", s/d)


entrega a flor boa
e viola-me, como se eu
fosse um castelo sem pedras
e sem lugares. ama-me como
se dissesses adeus e te despedisses,
sem renunciares ao ínfimo sacrifício

da paixão.

ficou-me da lembrança clara dos
mortos a cantiga que desfolhaste

ao cair do teu amor. lembro-me das
chamas, dos olhares sem corpo,

do lírio vergastado e do amor
empilhado. os perfeitos julgavam

olhar no meu sorriso sem paz
o reaproximar do canto. sem uma

voz que socorra a chama e a invoque.

venham de mim todos os mortos
e todos os sacrifícios e todas

as pedras encostadas ao deus
moribundo. apenas visto a cor

da cinza, com os lábios encostados
em nada, senão em tudo.

montségur, lá no alto,
agiganta-me no pranto
e lança tudo sem ao menos
perguntar a lágrima

jorge vicente

4.3.09

a importância do toque quando estamos doentes



(fotografia de john dugdale, "christ our liberator, morton street, new york", 1999)


"É igualmente importante que os casais retenham uma forma qualquer de intimidade física durante a doença. Como muitos idosos, os doentes gravemente doentes sofrem frequentemente de «fome de pele», uma separação literal da vida, quando deixa de haver toque. Se fazer amor se torna difícil, normalmente há formas alternativas possíveis de gratificação sexual no âmbito dos valores, engenho e condições físicas do casal. Carícias, abraços, beijos e dar as mãos são sempre possíveis." (1)

bernie s. siegel


(1) SIEGEL, Bernie S. - Amor, medicina e milagres. 1ª ed. Lisboa: Sinais de Fogo, 2004. ISBN 972-8541-47-3. pg. 264.

2.3.09

doença e honestidade



(fotografia de bill jacobson, "5044", s/d)


"Apesar de toda a gente à minha volta se esforçar ao máximo por estar alegre e optimista, por qualquer razão o efeito em mim era precisamente o oposto. Ser subitamente empurrada para uma situação em que toda a gente se comportava de forma positiva quando estava perto de mim fez-me aperceber até que ponto deixara de fazer parte desse mundo.

Os médicos e enfermeiras que tratavam de mim não podiam ter sempre um bom dia. Deviam estar cansados de me virar na cama ou de me ouvirem queixar. Mas eu nunca vi isso. A analista que me tirava sangue devia ficar frustrada por as minhas veias serem tão difíceis de encontrar. Mas sorria sempre, por entre dentes cerrados. Muitas vezes ouvi o pessoal médico falar do lado de fora da minha porta em tons agitados. Mas depois apareciam sempre no meu quarto como se fossem actores a entrar em palco num papel bem ensaiado.

O mesmo acontecia com a minha família e os amigos. Todos tentavam ajudar dizendo-me que eu era fantástica e corajosa. Até o homem da minha vida me tratava de maneira diferente. Eu sabia que ele devia ter sentido alguma injustiça por estar envolvido com uma mulher moribunda - uma evolução com que nunca contou. No entanto, nunca mo exprimiu. Claro que a sua intenção era proteger-me, mas eu teria muito para lhe dizer. Em vez de sondar as suas emoções, que me teriam incluído no processo da vida, deixei-me sentir excluída pelo seu silêncio." (1)

beyhan lowman


(1) LOWMAN, Beyhan apud SIEGEL, Bernie S. - Amor, medicina e milagres. 1ª ed. Lisboa: Sinais de Fogo, 2004. ISBN 972-8541-47-3. pg. 263, 264.

1.3.09

e o vencedor é...

amigos, no passado dia 16 de fevereiro, aderi a um desafio muito interessante proposto pela alexandra oliveira: o "desafio dos trastes". muitos de vocês participaram, muitos de vocês se candidataram a receber uma pequena prendinha gastronómica da região onde habito, ou seja, Sintra.

Ora, o feliz contemplado para este prémio foi:

NINSESABE!!!

Ela (ou ele) irá receber então por correio as queijadinhas da SAPA, que são um dos ex-libris da mais bela vila do país: Sintra.



Jorge Vicente