9.6.08

o perdão



(fotografia de kelli connell, "the space between", 2002)

"o que poderias querer que o perdão não possa dar? queres paz? o perdão oferece-a. queres a felicidade, uma mente serena, certeza acerca do teu propósito e um senso de valor e beleza que transcende o mundo? queres atenção, segurança e o calor da protecção garantida para sempre? queres uma quietude que não possa ser perturbada, uma gentileza que jamais possa ser ferida, um consolo profundo e duradouro e um descanso tão perfeito que jamais possa ser transtornado? o perdão oferece-te tudo isso, e mais. ele brilha nos teus olhos quando acordas e dá-te alegria para saudar o dia. conforta a tua fronte enquanto dormes e repousa sobre as tuas pálpebras para que não tenhas sonhos de medo ou de mal, malícia e ataque. e, quando acordas de novo, ele oferece-te um outro dia de felicidade e paz. o perdão oferece-te tudo isso, e mais." (1)

Um curso em milagres



(1) Um curso em milagres apud SOUSA, Vitorino de - Manual da leveza: visita de médico ao chacra raíz. Carcavelos: Angelorum Novalis, 2004. ISBN 972-8680-93-3. pg. 30.

3.6.08

"give peace a chance" (john lennon / paul mccartney)



(fotografia de kelli connell, "asleep at the wheel", s/d)

"ev'rybody's talkin' 'bout
bagism, shagism, dragism, madism, ragism, tagism
this-ism, that-ism, ism ism ism

all we are saying is give peace a chance
all we are saying is give peace a chance

ev'rybody's talkin' 'bout
minister, sinister, banisters and canisters,
bishops, fishops, rabbis, and pop Eyes, bye bye, bye byes

all we are saying is give peace a chance
all we are saying is give peace a chance

ev'rybody's talkin' 'bout
revolution, evolution, masturbation, flagellation, regulation,
integrations, mediations, united Nations, congratulations

all we are saying is give peace a chance
all we are saying is give peace a chance

Ev'rybody's talkin' 'bout
john and yoko, timmy leary, rosemary,
tommy smothers, bobby dylan, tommy cooper,
derek taylor, norman mailer, alan ginsberg, hare krishna
hare hare krishna

all we are saying is give peace a chance
all we are saying is give peace a chance" (1)

the plastic ono band



(1) retirado do cd da plastic ono band, live peace in toronto, 1969, de 1969.

2.6.08

"tunafish sandwich peace" (yoko ono)



(fotografia de mark citret, "gang ladder", 1992)

"imagine one thousand suns in the
sky at the same time.
let them shine for one hour.
then, let them gradually melt
into the sky.
make one tunafish sandwich
and eat." (1)

yoko ono




(1) retirado do booklet do cd da plastic ono band, live peace in toronto, 1969, de 1969. este poema está inserido no livro de yoko ono, grapefuit works, de 1964. o livro foi publicado originalmente pela wunternaum press.

john lennon



(fotografia de eikoh hosoe, "embrace nº 60", 1970)

"i am he as you are he as you
are me and we are all together" (1)

john lennon




(1) retirado do booklet do cd da plastic ono band, live peace in toronto, 1969, de 1969. este verso é um excerto da canção dos beatles, "i am the walrus"

quadro geral do estado novo



(quadro de shimon balisky, "the partizanes", 1945)

"o regime português, se considerarmos o sector não colonial, quase nunca alcançou o nível do assassínio político e das prisões em massa que eram prerrogativa do seu vizinho mais próximo. todavia, a relativa complexidade e refinamento do seu aparelho repressivo, o nível a que foi elevado no decurso de muitos decénios para fazer frente a protestos e rebeliões de tipo multíplice (greves de camponeses, trabalhadores braçais, operários, demonstrações das massas urbanas, greves de estudantes universitários, conspirações militares e civis e golpes de estado) e o seu articulado sistema de justiça política indicavam que esta «brandura» não derivava nem de uma deficiência organizativa nem tão-pouco de uma escassa incidência dos protestos. para os ambientes intelectuais estranhos ao regime e para a população em causa o terror era uma realidade sempre viva e impendente. é notável o facto de em frança, entre todos os imigrados, os operários portugueses serem considerados os mais relutantes à sindicalização.

com efeito, o caso de portugal até 1974 fornece matéria de estudo no campo da economia do terror. pode haver um coeficiente óptimo de terror que interesse a totalidade da população sem que seja necessári recorrer a um extermínio em larga escala, mas evidenciando e propagandeando ao máximo, com crueldade, a realidade desta situação." (1)

hermínio martins



(1) MARTINS, Hermínio - Classe, status e poder e outros ensaios sobre o portugal contemporâneo. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais, 1998. ISBN 972-671-051-0. p. 44, 45.

1.6.08

some of the history repeating



(fotografia de tina modotti, "march of workers, may 1st", circa 1926)


"em 1935 e em 1936 foram promulgados decretos-leis que transformaram todo o sector do emprego público numa reserva de pessoas de provada fidelidade política. era pedido o juramento de fidelidade a todos os indivíduos pertencentes ao funcionalismo público propriamente dito, aos professores, aos funcionários do aparelho corporativo, etc. introduziram-se penas estranhas à jurisdição da normal lei administrativa sujeitas ao poder discricionário do conselho de ministros." (1)

hermínio martins





(1) MARTINS, Hermínio - Classe, status e poder e outros ensaios sobre o portugal contemporâneo. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais, 1998. ISBN 972-671-051-0. p. 42, 43.


é interessante este aspecto do estado novo, se o compararmos com a realidade presente. apesar de termos liberdade, o governo toma decisões anti-democráticas (como obrigar os militares reformados a estarem sujeitos à disciplina militar, disciplina essa que obriga os militares no activo a não emitirem certas opiniões); apesar de acharmos que os cargos admnistrativos não devem ser políticos, aparece sempre um socialista nos cargos mais importantes (ou social-democrata, se for o PSD no governo).

qualquer dia, os professores, os operários, os funcionários públicos e muitos outros trabalhadores serão obrigados a assinar um papel onde jurarão a sua fidelidade ao governo democrático. isto pode parecer um disparate pegado, mas exemplifica bem que a democracia não é algo garantido, nunca é plenamente verdadeira, o povo, muitas vezes, não é ouvido nem achado. bertolt brecht, uma vez, disse que a democracia, muitas vezes, só se desenvolve em ambientes de totalitarismo, onde a repressão obriga ao amor da liberdade. chegando a liberdade, chega também a necessidade de autoridade, a necessidade de organização e, consequentemente, a necessidade do poder, que devora tudo.

jorge vicente

o 28 de maio e a génese do estado novo



(fotografia do 28 de maio, retirada daqui)

"o «significado» do «28 de maio» foi incerto desde o início. primeiramente, a sublevação foi acolhida com simpatia praticamente por parte de todos os partidos políticos minoritários (dos conservadores aos socialistas), como um meio capaz de quebrar a máquina eleitoral com que o partido democrático havia conseguido vencer todas, ou quase todas, as eleições durante dezasseis anos e conquistar, assim, o controle do subgoverno. esta ilusão foi-se dissipando cada vez mais logo que as sanções administrativas, as prisões e as deportações dos chefes aniquilaram os partidos políticos sem os porem, efectivamente, fora de lei. as organizações operárias, as confederações sindicais, os anarquistas, os anarco-sindicalistas e comunistas mantiveram-se bastante neutros: apesar do aumento das perseguições, os partidos «revolucionários» procuraram alhear-se das «rixas políticas portuguesas». mas, por fim, a partir de 1932, tinham deixado de existir como organizações legais" (1)

hermínio martins




(1) MARTINS, Hermínio - Classe, status e poder e outros ensaios sobre o portugal contemporâneo. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais, 1998. ISBN 972-671-051-0. p. 29.


não sabia que os socialistas tinham dado vivas ao golpe militar de 1926, mas tem lógica. a credibilidade da 1ª república estava de rastos e a confusão era tanta que a maior parte das pessoas aspirava a uma viragem. infelizmente, a viragem virou-se para os lados de santa comba dão.

jorge vicente