6.5.08

"across the universe" (john lennon / paul mcCartney)



(fotografia de mona kuhn, "phillip", 2000)

"words are flowing out like endless rain into a paper cup,
they slither while they pass, they slip away across the universe
pools of sorrow, waves of joy are drifting through my open mind,
possessing and caressing me.

jai guru deva om
nothing's gonna change my world,
nothing's gonna change my world.

images of broken light which dance before me like a million eyes,
they call me on and on across the universe,
thoughts meander like a restless wind inside a letter box they
tumble blindly as they make their way
across the universe

jai guru deva om
nothing's gonna change my world,
nothing's gonna change my world.

sounds of laughter shades of earth are ringing
through my open views inciting and inviting me
limitless undying love which shines around me like a million suns, it calls me on and on
across the universe

jai guru deva om
nothing's gonna change my world,
nothing's gonna change my world." (1)

the beatles





(1) retirado do cd dos beatles, past masters volume two, de 1988.

um desafio e uma bicicleta



(fotografia de mona kuhn, "birger", 1998)

a maria desafiou-me para um jogo. passo-o a toda a gente que me visita.

família: o meu pai, a mãe, a casa, as memórias, os amigos;

homem: adão;
mulher: eva;
sorriso: o sorriso de cléopatra quando marco antónio abandonou roma
e abraçou as águas do nilo;

perfume: o jardim perfumado; o oriente;

carro: a grande estrada americana: o cadillac;

paixão: o poema;

amor: a bela rapariga do líbano que ofereceu o seu corpo ao filho de jacob; o cântico dos cânticos; a morada dos corpos;

olhos: verdes, da cor da relva;

sal: vós sois o sal da terra;

chuva: bate a chuva levemente, como se o poema fosse água;

mar: portugal todo: a gesta dos descobrimentos;

livro: ascensão do fogo;

filmes: l'atalante: ou o mundo de pére jules nas margens do sena;

músicas: ouvi cantar os blues nos meus acordes de palavras;

flor: violeta, porque é da cor de deus;

sonhos: aqueles que eu entro e onde me dispo de mim;

cidade: a cidade à beira-mar onde o tejo desagua de mim;

país: o de nun'álvares;

não viver sem: palavras;

nunca deixar de ser: pétala;

qualidades: as virtudes cardeais;

defeitos: os sete pecados mortais;

detestas: l'enfer;

pessoa: ò sino da minha aldeia, repousa sobre o meu peito silente e adormece das minhas águas.



para além disso, a maria também me ofereceu esta bicicleta. querem andar nela? podem passá-la a quem quiserem.






jorge vicente

4.5.08

novamente allan kardec



(quadro de charline von heyl, "untitled", 2007)

"pode-se assim dizer que trazemos em nós mesmos o nosso inferno e o nosso paraíso. o purgatório, achamo-lo na encarnação, nas vidas corporais ou físicas" (1)

allan kardec




(1)KARDEC, Allan - O livro dos espíritos. 90ªed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2007. ISBN 978-85-7328-086-9. p. 534.

ressurreição vs. reencarnação, segundo allan kardec



(quadro de andrea bowers, "excerpts from the aids memorial quilt (block 5600)", 2007)

"efectivamente, a ciência demonstra a impossibilidade da ressurreição, segundo a ideia vulgar. se os despojos do corpo humano se conservassem homogêneos e reduzidos a pó, ainda se conceberia que pudessem reunir-se em dado momento. as coisas, porém, não se passam assim. o corpo é formado de elementos diversos: oxigênio, hidrogênio, azoto, carbono, etc. pela decomposição, esses elementos se dispersam, mas para servir à formação de novos corpos, de tal sorte que uma mesma molécula, de carbono, por exemplo, terá entrado na composição de muitos milhares de corpos diferentes (falamos unicamente dos corpos humanos sem ter em conta os dos animais); que um indivíduo tem talvez em seu corpo moléculas que já pertenceram a homens das primitivas idades do mundo; que essas mesmas moléculas orgânicas que absorveis nos alimentos provêm, possivelmente, do corpo de tal outro indivíduo que conhecestes e assim por diante. existindo em quantidade definida a matéria e sendo indefinidas as suas combinações, como poderia cada um daqueles corpos reconstituir-se com os mesmos elementos? há aí impossibilidade material. racionalmente, pois, não se pode admitir a ressurreição da carne, senão como uma figura simbólica do fenômeno da reencarnação. e, então, nada mais há que aberre da razão, que esteja em contradição com os dados da ciência" (1)

allan kardec




(1) KARDEC, Allan - O livro dos espíritos. 90ªed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2007. ISBN 978-85-7328-086-9. p. 529, 530.



para quem não acredita...

a ideia do inferno, segundo allan kardec



(quadro de wangechi mutu, "howl", 2006)

"demais, a doutrina do fogo material, das fornalhas e das torturas, tomadas ao tártaro do paganismo, está hoje completamente abandonada pela alta teologia e só nas escolas esses aterradores quadros alegóricos ainda são apresentados como verdades positivas, por alguns homens mais zelosos do que instruídos, que assim cometem grave erro, porquanto as imaginações juvenis, libertando-se dos terrores, poderão ir aumentar o número dos incrédulos. a teologia reconhece hoje que a palavra fogo é usada figuradamente e que se deve entender como significando fogo moral" (1)

allan kardec




(1) KARDEC, Allan - O livro dos espíritos. 90ªed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2007. ISBN 978-85-7328-086-9. p. 528.


já não era sem tempo... nós não precisamos de fogo eterno, nem eternas condenações. precisamos de responsabilidade individual pelos nossos actos.

3.5.08

l'enfer spiritiste



(quadro de lynn haxton, "echoing the dark", 1988)

"a ideia do inferno, com as suas fornalhas ardentes, com as suas caldeiras a ferver, pôde ser tolerada, isto é, perdoável num século de ferro; porém, no século dezanove, não passa de vão fantasma, próprio, quando muito, para amedrontar criancinhas e em que estas, crescendo um pouco, logo deixam de crer. se persistirdes nessa mitologia aterradora, engendrareis a incredulidade, mãe de toda a desorganização social" (1)

são paulo




(1)PAULO, Santo apud KARDEC, Allan - O livro dos espíritos. 90ªed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2007. ISBN 978-85-7328-086-9. p. 525.

2.5.08

eternidade das penas



(quadro de sueo serisawa, "the demon", 1956)

"guerras de palavras! guerras de palavras! ainda não basta o sangue que tendes feito correr! será ainda preciso que se reacendam as fogueiras? discutem sobre palavras: eternidade das penas, eternidade dos castigos. ignorais então que o que hoje entendeis por eternidade não é o que os antigos entendiam e designavam por esse termo? consulte o teólogo as fontes e lá descobrirá, como todos vós, que o texto hebreu não atribuía esta significação ao vocábulo que os gregos, os latinos e os modernos traduziram por pena sem fim, irremisssíveis. eternidade dos castigos corresponde à eternidade do mal. sim, enquanto existir o mal entre os homens, os castigos subsistirão. importa que os textos sagrados se interpretem no sentido relativo. a eternidade das penas é, pois, relativa e não absoluta. chegue o dia em que todos os homens, pelo arrependimento, se revistam da túnica da inocência e desde esse dia deixará de haver gemidos e ranger de dentes. limitada tendes, é certo, a vossa razão humana, porém, tal como a tendes, ela é uma dádiva de Deus e, com o auxílio dessa razão, nenhum homem de boa-fé haverá que de outra forma compreenda a eternidade dos castigos. pois que! fora necessário admitir-se por eterno o mal. somente deus é eterno e não poderia ter criado o mal eterno; do contrário, forçoso seria tirar-se-lhe o mais magnífico dos seus atributos: o soberano poder, porquanto não é soberanamento poderoso aquele que cria um elemento destruidor de suas obras. humanidade! humanidade! não mergulhes mais os teus tristes olhares nas profundezas da terra, procurando aí os castigos. chora, espera, expia e refugia-te na ideia de um deus intrinsecamente bom, absolutamente poderoso, essencialmente justo." (1)

platão



(1) PLATÃO apud KARDEC, Allan - O livro dos espíritos. 90ªed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2007. ISBN 978-85-7328-086-9. p. 524.