31.3.08

midnight movies: from the margin to the mainstream (stuat samuels)



(imagem de el topo)

durante mais ou menos dez anos, as sessões da meia-noite nos estados unidos foram o palco de uma imensa actividade cultural. durante esse período de tempo, foram exibidas no grande ecrã produções cinematográficas que alteraram o modo como entendemos o cinema. as produções eram, na maior parte das vezes, alternativas, o segundo mundo de hollywood - aquilo que está por trás e que influencia o trabalho de todos aqueles que pensam estar à frente.

foi nesse palco cultural que surgiram filmes como el topo, de alejandro jodorowski, pink flamingos, do enfant terrible john waters, night of the living dead, do mestre george romero, the harder they come, do realizador jamaicano perry henzell, rocky horror picture show e eraserhead, do grande david lynch. esses os filmes mais influentes, ou pelo menos, aqueles que stuart samuels estipulou como sendo os mais influentes saídos das midnight sessions. a maior parte destes filmes não foram pensados como sendo filmes noctívagos, para serem passados em sessões da meia-noite, mas as regras do mercado cedo impuseram que tais filmes deveriam ter esse horário o que levou a milhares de jovens americanos a invadirem as salas de cinema alternativas. as sessões da meia-noite eram sinónimo de inovação e ousadia estética; ou então, sinónimo de insurreição e rebeldia, como se pode verificar através de pink flamingos, um clássico do cinema de mau-gosto, tão do agrado dos amadores de cinema alternativo.

com o advento do vídeo, tais sessões perderam o significado. aquilo que era um encontro de partilha de um filme podia ser feito no interior da nossa casa. também foi uma revolução: tornou o cinema mais pessoal, mas retirou o carácter social que certos filmes indirectamente tinham. e o carácter ousado dessas produções foram-se tornando cada vez mais mainstream: o que, nos anos 70, iria ser relegado para as sessões da meia-noite, era agora aclamado pelos media: quentin tarantino e o seu kill bill, as rudezas de american pie, as modernas comédias americanas, com um longo historial de estupidez e mau-gosto. contudo, aquilo que afasta a maior parte dos filmes do nosso tempo (pelo menos, aqueles que poderiam ter sido um clássico alternativo) dos antigos é o talento: tirando algumas excepções como tarantino, a maior parte dos realizadores que vieram depois nunca conseguiram chegar aos calcanhares dos mestres de outros tempos.

jorge vicente



(imagens de eraserhead, retiradas do documentário midnight movies)

29.3.08

a lei da atracção



(quadro de Sean Landers, "What If I Go...", 2004)

"o amor é a lei de atração para os seres vivos e organizados. a atração é a lei de amor para a matéria inorgânica" (1)

allan kardec






(1) KARDEC, Allan - O livro dos espíritos. 90ªed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2007. ISBN 978-85-7328-086-9. p. 458, 459.


que interessante saber que allan kardec já falava da lei de atracção antes da física quântica ter sido inventada. bem sei que newton inventou a lei de atração dos corpos, mas o mundo espiritual ainda estava afastado dessas teorias físicas. uau!

as esmolas, segundo allan kardec



(fotografia de bruce gilden, "homeless man in sleeping bag outside a government building", 2000)

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888. que se deve pensar da esmola?

«condenando-se a pedir esmola, o homem se degrada fisica e moralmente: embrutece-se. uma sociedade que se baseie na lei de Deus e na justiça deve prover à vida do fraco, sem que haja para ele humilhação. deve assegurar a existência dos que não podem trabalhar, sem lhes deixar a vida à mercê do acaso e da boa vontade de alguns.» (1)
"

allan kardec



(1) KARDEC, Allan - O livro dos espíritos. 90ªed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2007. ISBN 978-85-7328-086-9. p. 458.

28.3.08

sherrybaby (laurie collyer)



(maggie gyllenhaal em sherrybaby)

eu gosto muito de maggie gyllenhaal como actriz, as suas escolhas têm sido, até agora, espectaculares e penso que será uma das grandes actrizes do futuro. ou será já uma das grandes actrizes do futuro. um dos primeiros filmes que vi dela foi adaptation, de spike jonze (o mesmo de being john malkovich), mas o papel foi pequeno. de seguida, vieram happy endings (sedutora e irresistível), stranger than fiction (um papel luminoso) e este sherrybaby. confesso que, como filme, talvez preferisse adaptation ou stranger than fiction (a ousadia de ambos é inquestionável), mas a interpretação dela em sherrybaby é brilhante.

neste filme, maggie interpreta o papel de uma ex-toxicodependente que sai da prisão e tenta recuperar a filha, que está a viver em casa do irmão e da cunhada. a aproximação é difícil, não se podem apagar anos de afastamento, mesmo que esse afastamento não tenha implicado ausência de amor ou falta de desejo de estar com. as coisas são como são, as pessoas fazem erros, tentam remediar, mas pode ser tarde de mais. a personagem interpretada por maggie tem o mundo todo com quem lutar e ainda tem de lutar consigo mesma. em que medida um ex-toxicodependente está apto a recuperar a vida se ainda não se libertou dos seus fantasmas.

a mesa de luz fala muita vez do seu cinema e dos seus filmes. este filme pertence ao meu cinema e, talvez, ao dela.

jorge vicente



(excerto de sherrybaby)

26.3.08

i am legend: awakening - story 3: isolation (brooke burgess)



(imagem de I Am Legend de Brooke Burgess)

para vocês, uma curta-metragem de brooke burgess, que descobri há minutos. é bastante interessante e merece ser vista, embora esteja uns furos abaixo de broken saints.

jorge vicente

broken saints (brooke burgess)



(imagem de broken saints, de brooke burgess)

quando quatro homens, vindos dos mais remotos cantos do globo, um dia juntarem as mãos, todos saberemos que o sol mudará de lugar e que o céu se afastará para dar origem a uma nova ordem global. os quatro homens, ou melhor, três homens e uma mulher serão uma forma algo afastada de quatro anjos do apocalipse, aqueles mesmos de que fala o livro dos livros.

não existe nenhuma razão para não acreditar, a não ser que tudo seja cinema e que o nosso mundo seja mais perfeito do que pensamos. esta história é a história de quatro mundos: o mundo do informático e do terrorista árabe, que se encontram numa experiência génetica no meio dos estados unidos; do budista e da jovem índia branca, levada na infância para a remota ilha de lomalagi (será que esse paraíso existe)? os quatro encontram-se e serão os portadores da mensagem dos deuses, embora algo involuntariamente. Por isso, são chamados de anjos descaídos, santos perdidos ou broken saints.

este filme é de animação e é um dos filmes mais originais que vi nos últimos tempos. bastante longo, com mais de 250 horas de duração, divide-se em várias séries ou pequenos episódios. a sua forma assemelha-se muito à banda desenhada, algumas vezes mais simples, outras vezes tremendamente arrojada. a mensagem é, também ela, simples, mas complexa: devemos salvar o mundo antes que seja tarde de mais.

jorge vicente



(clip de broken saints)

25.3.08

o livre-arbítrio, segundo allan kardec



(fotografia de Bruce Gilden, "Homeless man lies in the middle of the street, tokyo", 1999)

"sem o livre-arbitrio, o homem não teria nem culpa por praticar o mal, nem mérito em praticar o bem. e isto a tal ponto está reconhecido que, no mundo, a censura ou o elogio são feitos à intenção, isto é, à vontade. ora, quem diz vontade diz liberdade. nenhuma desculpa poderá, portanto, o homem buscar, para os seus delitos, na sua organização física, sem abdicar da razão e da sua condição de ser humano, para se equiparar ao bruto." (1)

allan kardec



(1) KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos. 90ªed. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2007. ISBN 978-85-7328-086-9. p. 448.


e a que homens se equipararão os governantes chineses e do mundo? ao bruto? à formiga? ao princípe? all the souls are getting shorter. and the road to samsara broader. close to the ground. without homeland.

Jorge Vicente