Amigos, recebi mais um prémio!!! Qualquer dia, o meu blog fica com as estantes partidas só com tantos prémios e miminhos!!! É tão bom lembrarem-se de nós! Obrigado, Maria!
Vou fazer as minhas nomeações da praxe:
1) Adri, a minha sobrinha kida! E parabéns pelos teus 17 anos!!; 2) A Mesa de Luz - já deves estar com a estante cheia, também!!!; 3) Maria, porque tu mereces tudo de bom que o universo te deixa; 4) Ana Freire, porque és super criativa e uma amiga super louca; 5) blogue de escrita criativa, porque escrevem todos bem e são todos doidos.
quando kevin smith ainda estava no liceu e não era o kevin smith que todos nós conhecemos, decidiu ir ao cinema ver slacker, de richard linklater. o choque foi tremendo e foi a partir daí que tomou a decisão de ser realizador. a razão: o facto de richard linklater ter demonstrado que se poderia fazer filmes de alta qualidade, tremendamente pessoais, com um baixo orçamento. e não foi só kevin smith: slacker teve um impacto profundo dentro da comunidade indie dos estados unidos.
a premissa do filme é bastante simples: a vida da comunidade jovem (e sem destino) de austin, no texas: os chamados slackers, ou segundo reza o wikipedia, "a person who avoids work or military service, or (primarily in North American English) an educated person who is antimaterialistic and viewed as an underachiever" (ver aqui). o argumento é quase inexistente, dividindo-se nas milionésimas partes das histórias pessoais das personagens que vão passando. se num momento, assistimos a uma conversa entre dois namorados, passados três minutos, a câmara vai para outro lado, para os pensamentos de uma outra personagem que passa pelos namorados na rua. e assim sucessivamente, de personagem em personagem, de rua em rua, com uma simples conversa, uma simples partilha, assistimos ao modus vivendi de toda uma geração, a que se convencionou chamar geração x.
sem personagens principais ou secundárias, pode-se dizer que todos eles são o corpo do filme. e a alma.
A Maria pediu-me que escrevesse aqui músicas marcantes que dancei. Não sei o que se pode chamar músicas marcantes: para a história da música, para a minha história pessoal, para a história da humanidade.
Fico-me apenas por músicas que me acompanharam no liceu e na universidade, músicas já antigas, algumas, mas que me marcaram:
um auto-retrato. da cidade. e das trevas queimadas que anunciam o fim da história. a água fecha o que jamais pôde ser fechado. fechado por dentro, limitando a ascese e o corpo. fica o silêncio. e o grito ascendido.
do anjo, apenas o olho azul aberto. tudo o mais recua e avança, como se a cidade fosse feita apenas. e não desenhada.
(imagem do trio da morte, em Thank You for Smoking)
para quem gosta de fumar (e, também, para quem não gosta), recomendo vivamente este filme: Obrigado por Fumar, de Jason Reitman. É uma crítica mordaz à sociedade norte-americana, ao império das tabaqueiras que não pretendem saber da saúde dos seus clientes, de todos os lobbies existentes nessa mesma sociedade (o lobby do armamento, do alcool, da saúde, etc), mas também é uma crítica à própria incapacidade crítica da sociedade, à falta de liberdade e capacidade de decisão. Porque fumamos? Porque não fumamos? Onde estará a nossa capacidade crítica que nos leva a pensar que fumar faz mal? Em que ponto estará a nossa capacidade de decisão? No fundo, aquela simples palavra que sempre nos têm transmitido ao longo dos anos relativamente à América: liberdade.
"I'm taken down with the fever And it won't let me sleep I'm taken down with the fever And it won't let me sleep It was about three o'clock Before he would let me be
I wish somebody Would come and drive my fever, away I wish somebody come and drive my fever away This fever I'm havin' Sho' is in my way
The fever I'm havin' Sho' is hard on a man The fever I'm havin' Sho' is hard on a man They don't allow my lover Come and shake my hand
I wonder what's the matter with the fever? Sho' is hard on a man I wanna know what's the matter? How come this fever hard on a man? Doctor said, I had the fever 'That your lover has another man'
Doctor get yo' fever gauge And put it under my tongue Doctors get yo' fever gauge And put it under my tongue Doctor says, 'All you need, yo' lover in your arms.'
I want my lover Come and drive my fever, away I want my lover Come and drive my fever away Doctor says she'll do me more good in a day Than he would in all of his days" (1)
Bukka White
(1) retirado da colectânea Diggin' Deeper: Legendary Blues Treasures, vol. 4.
Água (Water) de Deepa Mehta é, talvez, um dos mais belos filmes que vi nos últimos meses, talvez anos. É uma história muito bonita, passada na Índia, e narra a história de uma jovem menina de nove anos, que casa e enviúva bastante nova, sendo obrigada a ir para um ashram de viúvas, para aí permanecer até ao fim da sua vida. Nunca poderá voltar para a sua vida anterior, nunca poderá voltar para casa dos pais, terá de viver uma vida de resignação, abandono e lamentação. Uma espécie de meio-viva, porque metade da sua alma foi levada pelo marido, que nunca conheceu.
E é o retrato da Índia onde, a par com esses dramas profundos e tremendamente injustos, aparece uma réstea de esperança: o grande Mahatma Ghandi, libertador, um dos avatares da humanidade que prega a não-violência e o amor. Até para quem parece estar arredado dele. Como as viúvas. E essa presença, que só vemos fisicamente na parte final do filme, é central e tão forte que faz ter esperança que tudo se resolva na direcção daquilo que é certo e justo.
Muitas vezes, durante o filme, apetecia-me mesmo pôr-me em posição de lótus e deixar o Ganges entrar dentro de mim.
Este post é dedicado a todos aqueles que querem viver uma vida de amor e alegria.