31.1.08

In Nomine



(fotografia de Samer Mohdad, "The Remains of the Old City of Marib, Yemen", 1994)

os antigos. aqueles que já partiram. e estão nas paredes das casas e das igrejas e das pedras que assinalam datas,

aqueles que voltam e recuam e morrem outra vez, e outra, até cair de bruços na terra quente,

esses morrem de morte natural
de morte que nunca foi escura,
de morte que nunca foi branca,

com a felicidade de terem amado
e ascendido à condição de pedra

sem, ao menos, entenderem
porque razão o dom da liberdade
se subtrai às palavras dos anjos

Jorge Vicente

29.1.08

L. P. Hartley (5)



(fotografia de Samer Mohdad, "Lion Cubs, Military Instruction for Children, Ain El-Heloueh Palestinian Refugee Camp near Saida", 1989)


"But another world came to my aid - the world of facts. I accumulated facts: facts which existed independently of me, facts which my private wishes could not add to or subtract from. Soon I came to regard these facts as truths, and the only truths I cared to recognize. Pascal would have condemned them as being truth without charity; they contributed little to experience or imagination, but gradually took the place of both. Indeed, the life of facts proved no bad substitute for the facts of life. It did not let me down; on the contrary it upheld me and probably saved my life; for when the first war came my skill in marshalling facts was held to be more important than any service I was likely to perform on the field. So I missed that experience, along with many others, spooning among them. Ted hasn't told me what it was, but he had shown me, he had paid with his life for showing me, and after that I never felt like it" (1)

L. P. Hartley



(1) HARTLEY, L.P. - The Go-Between. 2ªed. Oxford: Heinemann New Windmills, 1985. ISBN 0-435-12299-1. p.280, 281.

27.1.08

Saber dizer não (Allan Kardec)




(fotografia de Samer Mohdad, "Hamam Moulay Yacoub Public Bath near Fez, Morocco", 1994)

"A lei natural traça para o homem o limite das suas necessidades. Se ele ultrapassar esse limite, é punido pelo sofrimento. Se o homem escutasse sempre a voz que lhe diz «basta», evitaria a maior parte dos males dos quais acusa a natureza" (1)

Allan Kardec

(1)KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos. 2ªed. Mem Martins: Livros de Vida, 2005. ISBN 972-760-108-1. p. 263.

Isto equivale, também, para as relações: às vezes, estamos numa relação que não dá resultado nenhum e não conseguimos dar o grito do Ipiranga. Se soubéssemos gritar e dizer esse tal basta, seríamos muito mais felizes. E a nossa vida muito mais agradável.

Jorge Vicente

25.1.08

Copying Beethoven (Agnieszka Holland)



(Ed Harris, em Copying Beethoven)

Confesso: quando vem à baila o nome de Ludwig Van Beethoven, vem-me logo à cabeça a magnífica interpretação de Gary Oldman no filme Immortal Beloved, de Bernard Rose. Oldman era Beethoven, a sua caracterização era magnífica e a sua interpretação fora de série. Pensava: só ele poderá interpretar Beethoven desta maneira.

Penso que me enganei: também Ed Harris, o eterno Pollock, o pode. E com uma grande mestria, saliente-se. O filme em questão? Copying Beethoven, de Agnieszka Holland, realizado em 2005. A premissa para o filme foi o relacionamento entre Beethoven e Anna Holz, uma personagem imaginária criada pelos argumentistas e que tinha a missão de ajudar o compositor na cópia da sua 9ª Sinfonia, para esta poder ser tocada pela orquestra.

De seguida, uma cena do filme: a estreia da 9ª:



Jorge Vicente

24.1.08

Alien Apocalypse (Josh Becker)



(Alien Apocalypse, com Bruce Campbell)

Depois de Feast, mais um filme de série B para alegrar os serões (os meus serões) de cinema, com a agravante de tudo neste filme ser ridiculamente mal feito. Salva-se a presença tutelar de um dos grandes heróis do cinema fantástico dos anos 80 e 90, Bruce Campbell, que protagonizou uma das trilogias mais conhecidas de cinema de terror, Evil Dead, de Sam Raimi. Provavelmente, ele está a querer transformar-se numa espécie de Bela Lugosi do 2º milénio, mas nada, nem mesmo Josh Becker, consegue descer tão baixo como Ed Wood desceu. Dito por outras palavras, um filme muito divertido de ficção científica com extra-terrestres a fazerem lembrar aqueles de Mars Attacks! de Tim Burton, só que com menos talento e ousadia.

Jorge Vicente

P.S. Pelo menos, não se lembraram de pôr a canção de Slim Whitman, "Indian Love Call". Eu gosto muito dela, mas já começa a ser irritante vê-la remetida para filmes de terror. Em Mars Attacks!, é a ouvi-la que os extra-terrestres morrem. Em Phantoms, é através dela que os fantasmas se comunicam connosco.


L. P. Hartley (4)



(fotografia de Joel D. Levinson, "Woman and Piano #18", 1975)

"All the time at Brandham I had been another little boy and the grown-ups had aided and abetted me in this: it was a great deal their fault. They liked to think of a little boy as a little boy, corresponding to their idea of what a little boy should be - as a representative of little boyhood - not a Leo or a Marcus. They even had a special language designed for little boys - at least some of them had, some of the visitors: not the family: the family, and Lord Trimingham too who was soon to be one of them, respected one's dignity. But there are other ways, far more seductive to oneself than the title «my little man», to make one feel unreal. No little boy likes to be called a little man, but any little boy likes to be treated as a little man, and this is what Marian had done for me: at times, and when she had wanted to, she had endowed me with the importance of a grown-up; she had made me feel that she depended on me. She, more than anyone, had puffed me up" (1)

L. P. Hartley

(1) HARTLEY, L.P. - The Go-Between. 2ªed. Oxford: Heinemann New Windmills, 1985. ISBN 0-435-12299-1. p.259, 260.

23.1.08

Feast (John Gulager)




A grande vantagem dos filmes de baixo orçamento, especialmente no que toca ao cinema fantástico, é que têm toda a liberdade para se espalharem ao comprido. Maus efeitos especiais, representações sofríveis, cenários ranhosos e situações improváveis. Em Feast, que faz parte do Project Greenlight, da HBO, temos apenas a pequena e a última situações: os efeitos especiais são fracotes e as situações improváveis. Afinal, como é que o raio de um bicho parecido com o Alien foi parar a um deserto no meio do nada?

O resto é série B pura.

site do filme aqui

Jorge Vicente



(o trailer do filme)