8.1.08

Stephanie Says (Lou Reed)



(fotografia de Stanko Abadzic, "Girl with Necklace of Fish", 2006)

"Stephanie says that she wants to know
Why she's given half her life, to people she hates now
Stephanie says when answering the phone
What country shall I say is calling from across the world

But she's not afraid to die, the people all call her Alaska
Between worlds so the people ask her 'cause it's all in her mind
It's all in her mind

Stephanie says that she wants to know
Why it is thought she's the door She can't be the room

Stephanie says but doesn't hang up the phone
What sea shell sea is calling from across the world

But she's not afraid to die, the people all call her Alaska
Between worlds so the people ask her 'cause it's all in her mind
It's all in her mind

She asks you is it good or bad
It's such an icy feeling it's so cold in Alaska,
it's so cold in Alaska, it's so cold in Alaska"

The Velvet Underground

(Retirado do CD VU, de 1984)

Considero esta canção uma das melhores dos Velvet, infelizmente relegada para uma colectânea de temas inéditos, VU que, embora brilhante, não seria o lugar adequado para uma canção destas. Devia estar incluída em Loaded ou, mesmo, no 4º álbum da banda que não chegou a ser publicado. Muitas dessas canções iriam depois aparecer na tal colectânea, VU.

Jorge Vicente

In Nomine



(fotografia de Stanko Abadzic, "Female Nude with Pillow", 2005)

9.

sempre que nos despedirmos, não te esqueças de prender os pratos à volta da mesa e olhar verticalmente o chão

o pó levantar-se-á como se uma rabanada de estrume tocasse. e a pele recebesse

Jorge Vicente

L. P. Hartley



(fotografia de Stanko Abadzic, "All My Apples", 2000)

"Thanks were something you kept till the last moment: they were the very essence of farewell (...)" (1)

L. P. Hartley




(1) HARTLEY, L.P. - The Go-Between. 2ªed. Oxford: Heinemann New Windmills, 1985. ISBN 0-435-12299-1. p.225.

3.1.08

O místico segundo Allan Kardec



(fotografia de Stanko Abadzic, "After the Double", 2000)

"
443. Há coisas que o extático pretende ver e que, evidendentemente, são o produto de uma imaginação impressionada pelas crenças e preconceitos terrestres. Portanto, o que vê não é real?

«O que o extático vê é real para ele. Mas, como o seu Espírito está sempre sob a influência das ideias terrenas, pode acontecer que veja à sua maneira, ou melhor, que exprima o que vê numa linguagem moldada pelos preconceitos e ideias de que está imbuído, a fim de ser mais compreendido. É sobretudo nesse sentido que lhe sucede errar.»" (1)

Allan Kardec


(1) KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos. 2ªed. Mem Martins: Livros de Vida, 2005. ISBN 972-760-108-1. p. 201.

Isis, "Celestial"

Os Isis são uma das bandas mais promissoras do cenário underground dos Estados Unidos. Partindo de uma vertente hardcore e sludge, conseguiram inovar e criar um som muito característico, revestido de paisagens sonoras extremamente belas, interrompidas, aqui e ali, por alguns momentos de ruído e de caos sonoro. É uma banda que, verdadeiramente, soube transpôr a beleza celestial do rock ambiental para o metal. Espero que, nos próximos anos, desenvolvam mais esta vertente e nos façam subir pelas paredes. de prazer.

Jorge Vicente



(Isis, "Celestial")



(fotografia de Alfred Stieglitz, "The Steerage part of Camera Work Number 36", 1907")

"The flood is coming down
I can't stop it
I can't hold it back
I can't see her
I can't even breathe"

(Isis, "Celestial (Signal Fills the Void)", retirado do EP SGNL>05).

2.1.08

Reveillon na Serra da Estrela



(imagem do grupo)



(José Pedro Reyes no terraço)



(o Rio Zézere, junto à casa)

Há quem se sinta renovado depois de um fim-de-semana bem agitado, há quem se sinta renovado depois de um concerto, depois de um passeio bem disposto com os amigos. Há quem se sinta renovado escrevendo, pintando, desenhando, atirando os seus problemas para o universo e esperando que ele retribua, mesmo sabendo que essa retribuição depende muito da nossa capacidade de aceitar o que nos acontece.

E, existem também aqueles que se sentem renovados cada vez que um ano passa, cada vez que existe aquela passagem, um pouco artificial, mas verdadeira, de um ano para o outro. Muitas das vezes, a passagem é inautêntica. Fazemos aquilo todos os anos, festejamos, temos as nossas esperanças e elas acabam no próprio minuto em que o ano começa. Provavelmente, ainda não descobriram a imensa capacidade que têm dentro deles e o imenso amor/amizade que podem dar às pessoas.

Ora, esta passagem de ano foi uma das coisas mais maravilhosas que me aconteceram. A partilha foi enorme, a capacidade de amar, aceitar, perdoar, dançar, crescer, descobrir as fragilidades, abraçar essas fragilidades e ainda dançá-las, foi maravilhoso. Queria agradecer a todos os que me proporcionaram estes momentos: ao grande José Pedro Reyes, que organizou o evento e que nos proporcionou momentos de partilha maravilhosos, através das meditações, da biodanza, do tantra (yeah!), da boa disposição, da sua humanidade e fragilidade partilhada por todos (és um ser de luz fantástico); à Ana, que nos ofereceu a casa e que, juntamente com a Marta e a anjinha Rita Oom, nos ofereceram manjares deliciosos, sorrisos constantes e abraços de alma que nunca mais esquecerei, à sempre fixe e divertida e fofa e carinhosa Ana Freire, amiga fantástica que nos falou deste evento, à Filipa, amiga maravilhosa e um doce em pessoa, à Virgínia, que não conhecia, mas que só me apetecia abraçar por ser quem é, querida e uma grande alma; à filha do José Pedro e da Rita, Maitê, maravilhosa e fofa; à Simone e ao filho, que também são maravilhosos (a nossa dança das mãos foi uma experiência maravilhosa; às bruxinhas, que são seres fantásticos e cheios de luz; aos gajos do grupo: o João osteopata, que me ensinou muita coisa e me disse para acreditar em mim; ao Pedro que, apesar da calma e da timidez, demonstrou que tem um grande coração e uma grande alegria para dar; ao Jorge, professor de kizomba e de kuduru e de sei lá que mais, que é o máximo; ao Nuno Cachadinha, sempre porreiro; ao Vítor, o nosso cineasta predilecto, etc etc e mais etc. Não consigo nomear toda a gente, todos foram maravilhosos e estarão sempre no meu coração. Aqui e para a eternidade.

Ho!

Jorge Vicente

In Nomine



(fotografia de Anne W. Brigman, "Via Dolorosa", 1910)

são joão da cruz viu a mãe
estendendo-se, nua,
entre duas pedras maestras:

uma simbolizava o norte,
outra o sul

deus, vestido de ombros largos,
chorava enquanto o rio crescia.

Jorge Vicente