6.12.07

"Sugar Blues" (Downey / Gorham / Lynott / White)



(pintura de Salvador Dali, "Lillas Pastias Tavern", 1969)

"Sugar Blues
Now I'm not the type to worry
Especially if it's concerning my health
Oh no, I'd never worry
I'd much rather do something else
I'm changing my point of view
Ever since I caught me the sugar blues

Oh that sugar
It adds a little sweetness in your life
Oh sugar
Won't you add a little sweetness to my life
You see I'm changing my point of view
Ever since I caught me the sugar blues

See I'm changing my point of view
Ever since I caught me the sugar blues
Yes, I'm changing my point of view
Ever since I got me the sugar blues
You see I'm changing my point of view
Ever since I caught me,
Ever since I caught me the sugar blues
Oh yes
I need me a sugar beet
I'm not the type that would complain
Just give me sugar cane
Give me
Gimme
Gimme
Gimme
Sugar"

THIN LIZZY

(retirado do CD dos Thin Lizzy, Chinatown, de 1980)

Pär Lagerkvist



(pintura de Adalbert Cuvelier, "Along the Scarpe River, near Arras", 1853)

"All is there, only I am no more,
all is still there, the fragrance of rain in the grass
as I remember it, and the sough of the wind in trees,
the flight of the clouds and the disquiet of the human heart.
Only my heart's disquiet is no longer there" (1)

Pär Lagerkvist


(1) LAGERKVIST, Pär apud SCHWANTNER, Joseph - Angelfire / Beyond Autumn / September Canticle / A Sudden Rainbow, 2005)

Joseph Schwantner



(fotografia de Eugene Curvelier, "Forest of Fontainebleau", 1863)

"Beyond Autumn...
the willow's mist
bathes the shadowed land,
in a distant past
long forgotten"

Joseph Schwantner



(retirado do CD Angelfire / Beyond Autumn / September Canticle / A Sudden Rainbow)

Angelfire / Beyond Autumn / September Canticle / A Sudden Rainbow (Joseph Schwantner)



(Joseph Schwantner)

Joseph Schwantner é um compositor norte-americano, nascido em Chicago, Illinois, em 1943.

A sua primeira experiência musical de alguma importância terá sido o grupo de free jazz Offbeat, na qual explorou pela primeira vez e de forma séria a sua capacidade de composição. Esse grupo ganhou em 1959 o National Band Camp Award.

Anos mais tarde, licenciou-se no Conservatório Americano e matriculou-se na Northwestern University para iniciar os seus estudos com Alan Stout e Anthony Donato. Recebeu vários prémios pelas obras que compôs, ensinou em várias universidades, as suas obras foram tocadas por um grande número de orquestras, entre as quais se salientam a New York Philharmonic, a Boston Symphony Orchestra, Los Angeles Chamber Orchestra, etc.

De acordo com o Wikipedia, o seu estilo é acessível, eclético e colorido, com fortes influências do Impressionismo Francês e do Minimalismo. Mas, tamnbém da guitarra que foi o primeiro instrumento que aprendeu. Senão vejamos:

"I didn’t realize until many years later just how important the guitar was in my thinking...to get to the bottom line, when I think about my music, its absolutely clear to me the profound influence of the guitar in my music. When you look at my pieces, first of all is the preoccupation with color. The guitar is a wonderfully resonant and colorful instrument. Secondly, the guitar is a very highly articulate instrument. You don’t bow it, you pluck it and so the notes are very incisive. My musical ideas, the world I seem to inhabit, is highly articulate. Lots of percussion where everything is sharply etched, and then finally, those sharply articulated ideas often hang in the air, which is exactly what happens when you play an E major chord on the guitar. There are these sharp articulations, and then this kind of sustained resonance that you can easily do in percussion - a favorite trick of mine! I think it is right in my bone marrow. I don’t think there is any question about that. I think my music would look differently if I were a clarinet player. So it doesn’t mean I sit around thinking about the guitar when I am writing a piece. Not at all! There is something fundamental about how I think about music, that I think comes from my experiences as a young kid trying to play everything I could on the instrument" (retirado da wikipedia)

Obras importantes:

Sinfonia Brevis;
Diaphonia Intervallum (1966);
Chronicon (1968);
Wild Angels of the Open Hills;
Aftertones of Infinity (1979);
A Sudden Rainbow (1986);
Angelfire (2001);
Beyond Autumn (1999);
September Canticle (2002), etc.

Este álbum que eu ouvi apresenta composições mais recentes e é belíssimo, especialmente as peças Angelfire e September Canticle, quase uma composição religiosa. Afinal de contas, estamos em território norte-americano e é já quase uma tradição as suas peças musicais, mesmo as contemporênas, serem acessíveis e de fácil audição, se comparadas com as suas congéneres europeias, mais frias, impenetráveis e caóticas. Alguns dos exemplos mais paradigmáticos desse caos sonoro são Stockhausen, Xenakis, Magnus Lindberg, etc.



(imagem do CD Angelfire / Beyond Autumn / September Canticle / A Sudden Rainbow, de Joseph Schwantner)

A biografia de Joseph Schwantner aqui

o site de Joseph Schwantner aqui



(outra peça de Joseph Schwantner, Velocities)

Jorge Vicente

4.12.07

As crianças e o Espiritismo



(fotografia de Sir Frank Brangwyn, "Study for Eden Philpotts «The Girl and the Fawn»", 1916)

"Se o homem apenas tivesse uma única existência e se, após essa existência, a sua sorte futura ficasse decidida para a eternidade, qual seria o mérito de metade da espécie humana, que morre na infância, para gozar, sem esforços, da felicidade eterna? Com que direito se consideraria isenta das condições, às vezes tão duras, a que se vê submetida a outra metade? Semelhante ordem de coisas não corresponderia à justiça de Deus. Com a reencarnação, a igualdade é para todos. O futuro pertence a todos sem excepção e sem favor para quem quer que seja. Os retardatários só se podem queixar de si próprios. O homem deve ter o mérito dos seus actos, tal como deles tem a responsabilidade.

Aliás, não é racional considerar-se a infância como um estado normal de inocência. Não se vêem crianças dotadas dos piores instintos, numa idade em que a educação ainda nenhuma influência podia ter tido? Há algumas que parecem trazer do berço a astúcia, a falsidade, a perfídia, até a tendência para o roubo e para o assassínio, não obstante os bons exemplos que lhes dão de todos os lados? A lei civil absolve-as dos seus crimes porque, diz ela, agiram sem discernimento. A lei tem razão, porque, de facto, elas agem mais instinto do que intencionalmente. Mas, de onde virão instintos tão diversos em crianças da mesma idade, educadas em condições idênticas e sujeitas às mesmas influências? De onde vem a perversidade precoce, senão da inferioridade do Espírito, uma vez que a educação em nada contribuiu para isso? As que se revelam viciosas, é porque os seus Espíritos progrediram muito pouco. Deste modo, sofrem as consequências, não pelos seus actos de criança, mas sim, pelos actos das suas existências anteriores. Assim, a lei é uma só para todos e todos são atingidos pela justiça de Deus." (1)

Allan Kardec

(1) KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos. 2ªed. Mem Martins: Livros de Vida, 2005. ISBN 972-760-108-1. p. 123.


Concordo com tudo o que Allan Kardec disse, mas considero que nos tempos que correm, a situação já não é tão linear como isso. Percebo pouco de psicologia infantil, mas acho que, muitas vezes, confunde-se perversidade com rebeldia e desejo de ser ouvida pelos adultos. Claro que sempre haverá crianças perversas, mas deve-se fazer a distinção. Ainda por cima, na era dos índigos...

Jorge Vicente

A infância do Espírito



(fotografia de Harry Callahan, "Florence", 1957)

"189. Desde o início da sua formação, o Espírito goza da plenitude das suas faculdades?
«Não, porque também no Espírito há infância, tal como sucede no Homem. Na sua origem, a vida do Espírito é apenas instintiva, mal tendo consciência de si próprio e dos seus actos. A inteligência só pouco a pouco se desenvolve»" (1)

Allan Kardec





(1) KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos. 2ªed. Mem Martins: Livros de Vida, 2005. ISBN 972-760-108-1. p. 119.

2.12.07

Projecto Sinergia




Ontem à noite e, devido ao adiamento do workshop de biodanza no qual eu ia participar, resolvi parar no Tuatara e assistir ao Projecto Sinergia. Tinha tido conhecimento desse projecto através da mailing list da cantora Teresa Gabriel, que tinha visto actuar também no Tuatara, numa festa organizada pela Quantic Chill Records. Foi em 29 de Setembro deste ano, lembro-me bem, no dia em que o meu amigo e poeta Xavier Zarco, lançou o seu livro Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá: invenção de Eros, no Porto.

Convidei o meu amigo Vasco para ir, já que ele mora na zona de Alvalade, e partimos para a descoberta. Uma das principais razões para estar lá era não só ouvir de novo a Teresa Gabriel, mas também assistir às declamações de poemas da Volte-Face, uma troupe de autores/declamadores que tenta promover a reflexão poética sobre os temas do nosso quotidiano. Nas suas intervenções, aliam a declamção, a música e a dança contemporânea, de uma forma muito interessante, embora eu tivesse achado a intervenção de sábado um pouco neutra. Acho que, no meu entender, alguns poemas deveriam ser quase gritados, como se houvesse uma catarse de palavras. No entanto, a declamação do "Jornal da Noite" foi divinal e muito forte. Para além das intervenções, a Volte-Face é também uma revista. Ou melhor, é, acima de tudo, uma revista de acção poética que alia a poesia ao design gráfico de uma forma aboslutamente fantástica, criativa e original. Só depois é que esses textos são trabalhados e declamados perante o público, nas tais intervenções que já referi antes. O site deles aqui.

Eu e o Vasco ainda tivémos umas boas horas a assistir às várias propostas até que vi um debate muito interessante. O debate reflectia sobre a idea de conscious partying, à qual o Projecto Sinergia está directamente associado, e que consiste, pelo menos no caso do Sinergia, num festival indoor onde se reunem DJ's, VGs, cantores, massagistas, curadores, poetas, autores e artistas variados, ONG's, associações humanitárias e ambientais, etc, que se unem para criar um novo tipo de consciência global, positiva e construtiva e que reflicta sobre os problemas do nosso mundo: transgénicos, agricultura biológica, pobreza, aquecimento global, etc. O Projecto Sinergia iniciou-se em Inglaterra há já 5 anos e, pelo que tenho ouvido,tem tidos resultados muito positivos. Afinal de contas, nós não somos apenas aqueles que vão ao cinema, que lêem livros e que dormem e comem todos os dias. Temos uma responsabilide global de ajudar o planeta a sobreviver e de prestarmos o nosso abraço à humanidade. Penso que será isso que a conscious partying significa, independentemente de ter surgido na Inglaterra, na comunidade trance, como penso que surgiu. É muito mais do que isso e o próprio facto de já estar integrado na biodanza ajuda a compreender um pouco o que se passa. Todas as nossas festas são uma partilha. Partilha da dança, da comida, do abraço, da consciência. Ou seja, uma perspectiva muito biocêntrica, de apoio à vida, ao prazer de viver e a todas as formas de vida que existam no planeta.

Espero que todos os músicos, DJ's, conferencistas e artistas que nos deram a conhecer o Projecto Sinergia juntem as suas mãos às minhas. E escrevam um novo poema. Uma nova existência. Uma nova forma de pensar. Ou talvez não escrevam. Talvez a nova forma de pensar seja algo que já esteja a nascer quase espontaneamente. Eu digo isto porque conheço pessoas, adolescentes, para as quais, dar um abraço, juntar-se a causas humanitárias e ambientais é algo natural. A minha sobrinha mais velha, de 16 anos, foi ao Banco Alimentar e não tem qualquer problema em abraçar os amigos. Acho que isso é fundamental e são esses jovens, conscientes e humanistas, que irão mostar à geração anterior que o mundo é um lugar muito bonito para se viver.

Obrigado a este Projecto pelo que fez ontem, no sábado, e vai fazer no futuro.

o site do Projecto Sinergia aqui
o site do Synergy Project aqui

Jorge Vicente