13.11.07

Uncle's Paradise / Ojisan Tengoku (Shinji Imaoka)



(imagem de Uncle's Paradise)

O pink cinema é um dos géneros centrais da cinematografia nipónica. Apesar do seu sucesso se dever muito ao erotismo e ao sexo, este género de filmes é único na medida em que, muitas das vezes, realizadores consagrados se apropriaram das suas regras para realizarem obras verdadeiramente experimentais. Posso mencionar realizadores como Koji Wakamatsu (Kabe no naka no himegoto, vencedor do Urso de Prata em Berlin, 1965), Takahisa Zeze (Moon Child, 2003), Kiyoshi Kurosawa (Akarui Mirai, nomeado para a Palma de Ouro de Cannes, em 2003), etc. As principais características do pink cinema são:

- devem ser filmados em 35mm para serem apresentados em salas de cinema alternativas;
- não podem apresentar imagens de genitais masculinos ou femininos;
- não podem apresentar relações sexuais completas;
- devem ter em média uma hora de duração;
- devem conter, pelo menos, 3 cenas sexuais. (fonte: brochura do festival Número Projecta).



(outra imagem de Uncle's Paradise)


O filme que eu vi, Uncle's Paradise é um desses filmes. Narra a história de Takashi, um autêntico lobo sexual que recusa dormir em virtude de estar sempre a sonhar a mesma coisa: fazer sexo com uma morta. As cenas são, na maior parte das vezes, completamente bizarras e estranhas e, mesmo sabendo das limitações e forças do pink cinema, acho que se abusou do sexual e do do corpo. Mas, foi uma experiência nova e a certeza de que a requalificação do cinema erótico (e, porque não, também do cinema para adultos) passa muito por aqui, pela experimentação e não pela triste figura a que chegou este tipo de cinema, que recorre cada vez mais ao bas-fond artístico.

Jorge Vicente

12.11.07

One Inch Masters (Gas Huffer)



(um poster de um concerto dos Gas Huffer)

O punk não é, certamente, da preferência de todos os bloggers, mas ninguém pode duvidar da sua importância cultural e sociológica. Já o mesmo não se pode dizer do fenómeno grunge, que teve o seu momento de auge no início dos anos 90, através dos Nirvana e dos Pearl Jam. Digo isto porque muitas gerações tendem a assimilar aquilo que viveram na juventude e a fechar os olhos ao que vem depois. Tal é um facto natural, fruto das vivências e daquilo em que se acredita.

Ora, os Gas Huffer apareceram justamente no início dos anos 90, época de muitas revoluções musicais e uma das idades de ouro do rock alternativo. Formados em Seattle (também ela uma cidade histórica musicalmente) em 1989, fazem a ponte entre o punk e um rock mais alternativo. Só que, enquanto uns, assumidamente punk, como os Nirvana, apostavam numa sonoridade mais directa, outros eram particularmente influenciados pelo hard rock dos anos 70: o caso dos Pearl Jam. Em relação aos Gas Huffer parecem-me muito mais uma mescla de punk com um atitude de festa, pelo menos em relação ao álbum que eu ouvi, One Inch Masters, de 1994. Outros chamaram-lhes rockabilly punk, mas nunca percebi muito bem o que realmente isso quer dizer. Seja como for, é um bom disco, forte e bastante bom. Apesar de esquecido nos anais da música moderna.

Jorge Vicente

Os Gas Huffer na wikipedia aqui
o vídeo "Crooked Bird" dos Gas Huffer aqui
o vídeo "More of Everything" aqui

O sobrenatural não existe



(fotografia de Minor White, "Pacific, Devil's Slide", California, 1947)

"As comunicações entre o mundo espírita e o mundo corporal estão na ordem natural das coisas e não constituem qualquer facto sobrenatural; é por isso que delas encontramos vestígios entre todos os povos e entre todas as épocas; hoje, generalizaram-se e tornaram-se patentes para todos" (1)

ALLAN KARDEC




(1) KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos. 2ªed. Mem Martins: Livros de Vida, 2005. ISBN 972-760-108-1. p. 45.

10.11.07

L. P. Hartley



(fotografia de Max Waldman, "Marat/Sade", 1966)

"After the musical hazards of the evening, the boss shots, the successes snatched from the jaws of failure, the anxiety for myself and other, it was bliss to listen to that lovely voice extolling the joys of home. I thought of my home, and how I should return to it after pleasures and palaces; and I thought of Marian's and how innapropriate to it the epithet humble was. She sang with so much feeling: did she really long for peace of mind in a thatched cottage? It didn't make sense to me" (1)

L.P. Hartley




(1) HARTLEY, L.P. - The Go-Between. 2ªed. Oxford: Heinemann New Windmills, 1985. ISBN 0-435-12299-1. p.159.

"Angels Ever Bright and Fair" (Georg Friedrich Handel)



(fotografia de Jerry Uelsmann, "Untitled", 1975)

"Angels! Ever bright and fair,
take, oh take me to your care.
Speed to your own courts my flight
clad in robes of virgin white
clad in robes of virgin white"

Georg Friedrich Handel


P.S. Não sei em que obra de Handel está este cântico, encontrei-a por acaso, citada por L.P. Hartley, no seu livro The Go-Between.

Jorge Vicente

9.11.07

Loucura e Espiritismo



(fotografia de W. Eugene Smith, "KKK, North Carolina - Crowd in robes around burning cross", 1951)

"Nos trabalhos corporais, estropiam-se os braços e as pernas, que são os instrumentos da acção material; nos trabalhos da inteligência, estropia-se o cérebro, que é o do pensamento. Mas, lá por se quebrar o instrumento, isso não quer dizer que o mesmo aconteça ao Espírito; este permanece intacto. E, quando se liberta da matéria, continua a gozar da plenitude das suas faculdades. No seu género é, como homem, um mártir do trabalho.

Todas as grandes preocupações do Espírito podem ocasionar a loucura: as ciências, as artes e até a religião são pródigas nessas ocorrências. A loucura tem como causa primária uma predisposição orgânica do cérebro, que o torna mais ou menos acessível a certas impressões. Dada a predisposição para a loucura, esta tomará o carácter de preocupação principal, tornando-se então uma ideia fixa. Esta ideia fixa pode ser tanto a dos Espíritos - em pessoas que se dedicam ao seu estudo -, como a de Deus, dos anjos, do diabo, da fortuna, do poder, de uma arte, de uma ciência, da maternidade, de um sistema político ou social. Provavelmente, o louco religioso ter-se-ia tornado um louco espírita, se o espiritismo fosse a sua preocupação dominante, do mesmo modo que o louco espírita o seria sob outra forma, de acordo com as circunstâncias.

Digo então que o espiritismo não tem privilégio algum a esse respeito. Vou mesmo mais longe: bem compreendido, acaba por revelar-se uma protecção contra a loucura."(1)

Allan Kardec





(1)KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos. 2ªed. Mem Martins: Livros de Vida, 2005. ISBN 972-760-108-1. p.38, 39.

1.11.07

Revolução científica?



(fotografia de Bernard Faucon, "Le Vrai et le Faux", retirado de www.bernardfaucon.net)

"Quando surge um facto novo, que não tem qualquer relação com uma ciência conhecida, o sábio, para o poder estudar, terá de abstrair da sua ciência, dizendo a si próprio que se trata de um estudo novo e que não pode ser feito com ideias preconcebidas" (1)

Allan Kardec



(1)KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos. 2ªed. Mem Martins: Livros de Vida, 2005. ISBN 972-760-108-1. p.28.