30.10.07

The Art of Self-Defense (High on Fire)



(fotografia de Matt Pike, tirada por Bridget Christian. Retirado do myspace da banda)

Os High on Fire são uma grande banda. Partindo dos restos dos extintos Sleep, Matt Pike decide formar uma nova banda, mais agressiva do que os Sleep, mas ainda manifestamente stoner e metaleira. O trabalho de guitarra continua a ser assombroso, a fazer lembrar os Black Sabbath e Tommy Iommi. A nível vocal, remetem para os Motorhead. A elevada quantidade de ácidos tomados continua a ser uma regra a ser cumprida. Afinal de contas, estamos a falar de uma banda stoner!. Em resumo: um autêntico festival psicadélico e satânico!!!

Membros da banda:

Matt Pike, guitarrista e vocalista (ex: Sleep, Kalas e Asbestos Death)
Des Kensel, bateria
George Rice, baixo (ex: Dear Deceased e agora nos Watch Them Die)

O álbum The Art of Self-Defense é o seu primeiro álbum e data de 2000.

um dia na feitura de um álbum dos High on Fire aqui
o episódio 2 da feitura do disco aqui
o episódio 3 aqui
o episódio 4 aqui
o episódio 5 aqui

Os High on Fire no myspace aqui

Jorge Vicente

28.10.07

Um Toque de Canela / A Touch of Spice (Tassos Boulmetis)



(imagem do filme Um Toque de Canela / A Touch of Spice, de 2003)

Istambul, a mais bela das cidades, a antiga Constantinopla, é o palco desta maravilhosa história de auto-conhecimento (e de auto-redescoberta). Neste filme de Tassos Boulmetis, Georges Corraface desempenha o papel de Fanis, um jovem grego que vive com a família em Istambul. O seu relacionamento mais forte dá-se com o avô, Vassilis, que tem uma mercearia e que lhe ensina os segredos das especiarias e da culinária.

Diz-se que a palavra gastrónomo (gastronomos) rima com a palavra astrónomo (astronomos) e que, por isso, o astrónomo é um cozinheiro dos céus. Foram esses um dos inúmeros ensinamentos que Vassilis transmitiu ao seu neto o que fez com que, ao longo da vida, Fanis desenvolvesse um faro especial para a confecção de pratos magníficos, a par com uma paixão muito especial pela astronomia. Mas, infelizmente, nem tudo o que a vida nos oferece nos agrada e a família de Fanis, excepto o avô, é obrigada a regressar à Grécia, devido aos graves incidentes no Chipre no início dos anos 60.

Fanis passa mais de 30 anos sem ver o avô. Ambos adiam sempre uma viagem. Vassilis não quer deixar Istambul, a mais bela das cidades; Fanis, agora professor de astrofísica numa Universidade grega, tem medo de regressar e confrontar-se com o seu passado. Mas regressa, a súbita doença do avô chama-o e existe a possibilidade de voltar a ver o seu antigo amor, Saime.

Aconselho todoas as pessoas a verem este filme. Faz crescer, cria emoções e ensina-nos como o verdadeiro cinema deve ser.

Jorge Vicente

26.10.07

O Fio da Vida / Strings (Anders Ronnow Klarlund)



(imagem do filme de Anders Ronnow Klarlund, O Fio da Vida / Strings)

Nós temos a sensação de, por vezes, estarmos a ser puxados do alto do céu, como se uma força exterior a nós, anterior à própria noção de espaço e de tempo, nos guiasse ao longo da nossa vida. Essa ligação não é material, embora, por vezes, assim o pareça. Somos uma espécie de marioneta no comboio da existência, que ora se atrasa, ora se distancia por entre os vários caminhos que escolhe.

O filme de Anders Ronnow Klarlund, jovem realizador dinamarquês, assume essa simbólica e cria um mundo de fantasia onde cada personagem é movida literalmente por fios físicos que escorregam do céu. Escusado será dizer que se trata de um filme de marionetas, muito bem feito e engendrado e onde a principal vantagem consiste nessa mesma simbologia do fio da vida, que é uma ligação ao divino, e ao qual não podemos escapar. Ou podemos?

Jorge Vicente

"Live With Me" (Mick Jagger / Keith Richards)



(fotografia de Stephen Shore, "Yucatan, Mexico", 1990)

"I've got nasty habits
I take tea at three
And the meat I eat for dinner
Must be hung up for a week
My best friend he shoots waters rats
And feed them to his geese
Don-cha think there's a place for you
In between the sheets?

Come on now honey, we can built a home for three
Come on now honey, don't you want to live with me?

And there's a score of hare-brained children
There are a-locked in the nursery
They got ear-phone heads
They got dirty necks
They're so tweentieth century
Well, they queue up for bathroom round about 7.35
But don-cha think we need a woman's touch
to make it come alive?

You'd look good pram pushing down the High Street
Come on now honey, don't you want to live with me?

On the servants they're so helpful dear!
The cook she is a whore
the butler has a place for her
Behind the pantry door
The maid, she's French, she's got no sense
She's from Crazy Horse
And when she strips, the chauffeur flips
The footman's eyes get crossed

Don-cha think there's a place for us
Right across the street?
Don-cha you think there's a place for you
In between the sheets?

Don-cha you think there's a place for you
Come on live with me"

GIRLSCHOOL

(retirado do CD das Girlschool, Screaming Blue Murder, de 1982. Esta é uma versão do clássico dos Rolling Stones, de 1969)

As Girlschool no youtube, cantando ao vivo, "Screaming Blue Murder, aqui

25.10.07

Um Milagre de Natal / Noel (Chazz Palminteri)



(Alan Alda e Paul Walker, em Noel)

Apesar das opiniões institucionalizadas de algums críticos de renome, que preferem o chamado cinema de autor ao cinema popular, sabe bem, de vez em quando, ver um filme que nos aqueça a alma. O pior é que, para algumas pessoas, esse aquecimento da alma equivale a uma diminuição das faculdades mentais pelo que fogem a sete pés de filmes sentimentais e emotivos.

Um Milagre de Natal (Noel, no título original) é um filme emotivo. Que nos aquece a alma. E é um filme de Natal, embora sem o Pai Natal, o Menino Jesus, as ruas enfeitadas, com bonecos de neve encostando a nariz à porta, saboreando alguma castanha acabadinha de fazer. É, acima de tudo, um filme sobre a mudança de vida, sobre os pequenos milagres que um simples dia pode fazer. Esse dia poderia ser o Natal, o dia de aniversário de alguém que já partiu, o dia do primeiro encontro.

Neste filme, três histórias são contadas:

a história de Rose, divorciada, que vive para ajudar a mãe, internada com Alzheimer. Passa a vida no hospital.

a história de Mike e Nina, que planeiam casar-se, mas cuja relação está em vias de terminar por causa do ciúme. E, ainda por cima, Mike é perseguido por um empregado de café que julga que ele é a reencarnação da sua antiga mulher, que faleceu.

história de Jules, que se mutila para ser internado no hospital, o sítio onde ele passou o único Natal decente em toda a sua vida, aos 12 anos.

Resumindo: é um filme de Natal, um pequeno filme, um pequeno grande filme que nos ensina que podemos mudar a nossa vida, sempre que quisermos. E que devemos aprender com as pequenas grandes lições que todos os dias passam e nos acompanham quando respiramos e nos deitamos; quando passeamos pela rua e saboreamos o doce alvorecer do sol de manhã. Como disse Wellington Enguer, facilitador de Biodanza, "não basta sermos pessoas inteligentes e admiradas; é necessário sermos pessoas humanas e amadas" (fonte: http://www.toknatural.com.br/reflexoes.htm). E o amor, o perdão, a entrega, e o dar/receber são a base do Natal.

Jorge Vicente

A alma segundo Allan Kardec



(fotografia de Cindy Sherman, "Untitled Film Still #56", 1980)

"Segundo alguns, a alma é o princípio da vida material orgânica; não tem existência própria e cessa com a vida: é o materialismo puro. Nesse sentido, e em comparação, diz-se de um instrumento rachado, que deixou de emitir sons, que já não tem alma. Segundo esta opinião, a alma seria um efeito e não uma causa.

Há outros que pensam que a alma é o princípio da inteligência, agente universal do qual cada ser absorve uma certa porção. Segundo estes, haveria em todo o Universo apenas uma única alma, distribuidora de centelhas pelos diversos seres inteligentes durante toda a sua vida. Após a morte, cada centelha regressa à fonte comum onde se confunde no todo, tal como os regatos e os rios voltam ao mar de onde saíram. Esta opinião difere da precedente, no sentido em que, tendo em conta a hipótese lançada, há em nós mais do que matéria, subsistindo alguma coisa após a morte. Contudo, é quase como se nada subsistisse; isto porque, destituídos de individualidade, deixaríamos de ter consciência de nós próprios. Nesta acepção, Deus seria a alma universal, sendo cada ser uma parcela da Divindade. Estaríamos perante uma variante do panteísmo.

Finalmente, segundo outros, a alma é um ser moral, distinto e independente da matéria, que conserva a sua individualidade após a morte. Esta acepção é, incontestavelmente, a mais geral. Efectivamente, sob uma ou sob outra designação, a ideia de um ser que sobrevive ao corpo encontra-se em todos os povos num estado de crença instintiva e independente de qualquer ensinamento. A esta doutrina, segundo a qual a alma é a causa e não o efeito, damos o nome de espiritualismo.

Sem discutir o mérito de tais opiniões, e considerando apenas o lado linguístico da questão, diremos que estas três aplicações da palavra alma constituem três ideias distintas, que necessitariam de um termo diferente para cada uma. Portanto, esta palavra tem uma tripla acepção; do seu ponto de vista, todos têm razão na definição por que optam. O defeito está na língua, por possuir apenas uma palavra para exprimir três ideias. A fim de evitar qualquer equívoco, seria necessário restringir a acepção do termo alma a uma daquelas três ideias. A escolha é indiferente; o essencial é que todos se entendam, sendo necessário para o efeito o estabelecimento de convenções. Julgamos mais lógico tomá-lo na sua mais vulgar acepção; assim, temos por ALMA o ser imaterial que reside em nós e que sobrevive ao corpo". (1)

Allan Kardec



(1) KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos. 2ªed. Mem Martins: Livros de Vida, 2005. ISBN 972-760-108-1. p.12, 13

24.10.07

Complete Recorded Works in Chronological Order Vol. 2: 1927 (Blind Lemon Jefferson)



(fotografia de Blind Lemon Jefferson)

E se, de repente, algum estranho viesse ter convosco e os convidasse para um passeio no Delta? Saboreando as mesmas águas que o furacão Katrina arrebatou há alguns anos atrás, entrando naquelas pequenas casas de madeira onde, diz-se, o blues nasceu, com o signo dos velhos espirituais negros ecoando em cada campo de algodão?

E se, de repente, o grande rio desembocasse no mar e adormecesse os cordões de música que pairam um pouco pelo Sul dos Estados Unidos, com o fantasma do Klan entrando paredes dentro com a espiritualidade negra?

Blind Lemon Jefferson é tudo isso, apesar de ter nascido no Texas. Mas, para mim, a dimensão geográfica não interessa. Pelo menos, no caso do Delta. A influência do Mississippi na cultura musical dos Estados Unidos é imensa e o blues que ficou, tradicionalmente, associado ao Rio, ao Grande Rio ("Misi-ziibi", segundo a língua ojibwe) não é necessariamente pertença apenas do Mississipi ou da Louisiana, apesar dos grandes nomes serem originários de lá. Posso fazer referência a: Robert Johnson (o guitarrista que vendeu a alma ao diabo para tocar como tocava), Charley Patton, Muddy Waters, John Lee Hooker e tantos outros, que foram mestres do Delta. E souberam cantá-lo. E tocá-lo como ninguém.

Blind Lemon Jefferson não foi apenas mais um. É um dos mestres originais do blues. A ouvir com atenção e carinho.

Blind Lemon Jefferson no youtube aqui

Blind Lemon Jefferson no wikipedia aqui

Jorge Vicente